Clínica FisioCampus: Inovação e Humanização na Fisioterapia em Vila Franca de Xira

02/06/2026
A inauguração da Clínica FisioCampus, integrada no Campus de Saúde da Misericórdia de Vila Franca de Xira, assinala um novo passo na consolidação de uma resposta diferenciadora em reabilitação, fisioterapia e pilates clínicos na região.

Pensada para garantir continuidade de cuidados após a alta clínica e aberta a toda a comunidade, a nova unidade afirma-se pela aposta numa abordagem personalizada, centrada na pessoa, suportada por tecnologia e baseada na evidência científica.

Em entrevista ao HealthNews, o fisioterapeuta e coordenador da Clínica FisioCampus, André Machado, explica a visão estratégica que esteve na origem do projeto, os princípios clínicos que orientam a intervenção da equipa, a integração no ecossistema do Campus de Saúde e o impacto esperado na melhoria da funcionalidade, autonomia e qualidade de vida dos utentes de Vila Franca de Xira e concelhos vizinhos.

 

HealthNews (HN) – Qual foi a inspiração e a principal motivação para criar a Clínica FisioCampus integrada no Campus de Saúde da Misericórdia Vila Franca de Xira?

André Machado (AM) – A criação da Clínica FisioCampus resulta da convergência entre uma visão estratégica, uma necessidade identificada junto da comunidade de Vila Franca de Xira e uma oportunidade clara para reforçar a resposta em reabilitação na comunidade.

O Campus de Saúde da Misericórdia de Vila Franca de Xira tem vindo, desde a sua abertura há cerca de um ano, a acompanhar centenas de pessoas em contexto de internamento, com um modelo assistencial fortemente assente na humanização dos cuidados, na intervenção multidisciplinar e na promoção da autonomia funcional.

Verificou-se, contudo, que após a alta clínica muitos utentes necessitavam de dar continuidade ao seu processo de reabilitação ou de manter os ganhos alcançados, já fora do contexto de internamento. A FisioCampus surge precisamente para garantir essa continuidade de cuidados, assegurando a mesma filosofia clínica e proximidade, agora aberta a toda a comunidade.

Paralelamente, a parceria com o Hospital da Luz Clínica Vila Franca de Xira reforçou esta visão, permitindo responder de forma integrada e de proximidade às necessidades dos seus clientes na área da fisioterapia.

HN – De que forma a FisioCampus se diferencia das clínicas de fisioterapia tradicionais, tanto em termos de abordagem terapêutica como de serviços oferecidos?

AM – A FisioCampus distingue-se por uma abordagem altamente personalizada, sustentada numa avaliação clínica rigorosa, no trabalho interdisciplinar e na utilização de tecnologia de apoio à decisão clínica.

A intervenção é centrada na pessoa, não apenas na condição clínica, envolvendo o utente na definição de objetivos funcionais claros e ajustados à sua realidade.

Para além da fisioterapia convencional, a FisioCampus integra áreas como saúde pélvica, terapia ocupacional, pilates clínico (em solo e com equipamentos), reabilitação neurológica integrada e consultas de fisiatria. Existe também uma forte aposta na promoção da saúde e na prevenção, através da prescrição de exercício e de ações dirigidas à comunidade.

HN – Pode explicar como o acompanhamento individualizado e centrado na pessoa é aplicado na avaliação e tratamento dos utentes?

AM – Todo o processo tem início numa avaliação inicial obrigatória, detalhada e individualizada. Esta avaliação considera não apenas os aspetos físicos, mas também o contexto funcional, social e os objetivos específicos de cada utente.

Com base nessa avaliação, é definido um plano terapêutico personalizado, que é monitorizado e ajustado continuamente de acordo com a evolução clínica.

A aposta na avaliação objetiva levou também ao investimento em equipamentos diferenciadores, como a plataforma PhysioSensing e o dinamómetro digital, que permitem uma quantificação mais rigorosa dos resultados e uma intervenção mais segura e eficaz.

HN – Que papel desempenham os equipamentos especializados, como a plataforma Physio Sensing e os equipamentos isocinéticos, na definição dos tratamentos?

AM – A plataforma PhysioSensing permite uma avaliação objetiva e mensurável do equilíbrio, controlo postural e distribuição de carga, suportando a intervenção em protocolos baseados na evidência científica. A integração de componentes de gamificação torna ainda o processo terapêutico mais dinâmico e motivador para o utente.

Os equipamentos isocinéticos permitem um trabalho muscular mais completo, incluindo a componente excêntrica e concêntrica, potenciando ganhos em reabilitação, prevenção de lesões e desempenho funcional. Em todos os casos, a utilização da tecnologia é sempre subordinada ao raciocínio clínico e à evidência científica.

HN – Com que seguradoras e instituições a Clínica FisioCampus já estabeleceu protocolos?

AM – Nesta fase inicial, a FisioCampus começou por estabelecer parcerias internas no Campus de Saúde, garantindo condições específicas para os irmãos e colaboradores da Misericórdia de Vila Franca de Xira.

Está igualmente em desenvolvimento um modelo de articulação com o Hospital da Luz Clínica Vila Franca de Xira.

Relativamente às seguradoras, encontra-se em curso o fecho contratual com várias entidades, que serão oportunamente comunicadas assim que os processos estejam totalmente concluídos.

HN – Qual é o procedimento obrigatório em qualquer serviço prestado na FisioCampus?

AM – Todos os serviços prestados na FisioCampus têm como procedimento obrigatório a realização de uma avaliação inicial estruturada e devidamente documentada.
Nenhuma intervenção é iniciada sem essa avaliação, assegurando qualidade, segurança clínica e coerência terapêutica em todo o percurso do utente.

HN – Que impacto espera que a Clínica FisioCampus tenha na população de Vila Franca de Xira e concelhos vizinhos?

AM – A FisioCampus pretende ter um impacto muito positivo ao reforçar o acesso a cuidados de reabilitação diferenciados, seguros e de elevada qualidade. A integração num Campus de Saúde permite uma resposta mais articulada, contínua e próxima, contribuindo para a melhoria da funcionalidade, autonomia e qualidade de vida dos utentes.

Ambiciona-se igualmente afirmar a clínica como uma referência regional na promoção da saúde, na prevenção da incapacidade e na valorização de cuidados personalizados e baseados na evidência científica.

HN – Quais são os principais objetivos a médio e longo prazo para a clínica em termos de serviços e expansão?

AM – A médio prazo, o objetivo é consolidar a qualidade e diferenciação dos serviços existentes, reforçando áreas como a reabilitação ortopédica, neurológica, saúde pélvica e pilates clínico, bem como o desenvolvimento de protocolos académicos e de investigação.

Paralelamente, pretende-se contribuir para a melhoria da literacia em saúde da população, através de ações de sensibilização, rastreios e iniciativas comunitárias.
A longo prazo, a FisioCampus ambiciona afirmar-se como uma unidade de referência regional, com investimento contínuo em tecnologia, formação da equipa e expansão sustentável, sempre com foco na qualidade clínica e na proximidade ao utente.

HN – Que mensagem gostaria de deixar aos utentes e à comunidade sobre a importância dos cuidados personalizados em fisioterapia e pilates clínicos, e sobre a Clínica FisioCampus?

AM – Cada pessoa é única e, por isso, o seu processo de reabilitação deve ser igualmente individualizado. Os cuidados personalizados permitem intervenções mais seguras, eficazes e orientadas para objetivos reais de funcionalidade e qualidade de vida.

A FisioCampus assume o compromisso de cuidar com rigor clínico, proximidade e humanidade, colocando sempre o utente no centro do processo terapêutico. Pretende ser um espaço de confiança para a comunidade, onde a reabilitação, a prevenção e a promoção da saúde caminham lado a lado.

Fica o convite a toda a comunidade para visitar a FisioCampus, conhecer o espaço e esclarecer eventuais dúvidas, bem como para descobrir a galeria Campus 7 Art, inaugurada no passado dia 8 de janeiro, um projeto que introduz arte, vida e movimento no Campus de Saúde, reforçando uma abordagem diferenciadora aos cuidados de saúde.

Entrevista de Antónia Lisboa



			

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