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O Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Timor-Leste foi palco, ao final da manhã de hoje, da formalização de um acordo-programa entre o governo e a FAO. A iniciativa, que não surge no vácuo, pretende atacar problemas estruturais há muito diagnosticados. Dados oficiais, aliás, pintam um quadro preocupante: quase metade das crianças timorenses com menos de cinco anos padece de má nutrição crónica, um número que teima em resistir a sucessivas intervenções.
Bendito Freitas, ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, não escondeu a relevância do momento. “Este componente é extremamente importante para a transformação socioeconómica. O que o povo precisa é de alimentação”, afirmou aos jornalistas, numa declaração que ecoa discursos recorrentes da administração timorense. Freitas lembrou que o próprio Presidente da República, José Ramos-Horta, tem colocado a segurança alimentar no topo da agenda diplomática em encontros bilaterais.
A parceria, segundo explicou, visa desenvolver o setor de forma integrada, passando pela sustentabilidade da agricultura, pelo fortalecimento institucional e pela capacitação de recursos humanos. A FAO irá colaborar diretamente com o Ministério da Agricultura, numa articulação que se deseja mais eficaz. “Trata-se de uma necessidade”, sintetizou o governante, reconhecendo o papel crucial da organização internacional no apoio às necessidades económicas do país ligadas à alimentação.
A cerimónia não foi pobre em representantes. Pela FAO marcaram presença o diretor-geral adjunto Alue Dohong e o representante para a Indonésia e Timor-Leste, Rajendra Aryal. Do lado timorense, estiveram os secretários de Estado das Pescas, Domingos dos Santos, e da Pecuária, José de Araújo, um sinal da abordagem multissetorial que se pretende.
Este novo quadro de cooperação insere-se num esforço mais amplo. Em março de 2025, as autoridades nacionais já haviam apresentado um plano de ação multissetorial de nutrição, que estabelece a meta ambiciosa de reduzir o atraso no crescimento infantil para 25% até 2030. O foco recairá sobre recém-nascidos, crianças até aos 23 meses e mulheres em idade reprodutiva. O acordo com a FAO aparece, assim, como um instrumento operacional para perseguir esses objetivos, num terreno onde os números, por ora, ainda falam mais alto do que os sucessos. A estrada será longa, mas o caminho, sustentam, está agora mais bem desenhado.
NR/HN/Lusa



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