Feira de Maio de Leiria suspensa em 2026 após intempéries

6 de Fevereiro 2026

O município de Leiria cancelou a edição deste ano da sua feira franca, uma das maiores do país. O presidente da câmara, Gonçalo Lopes, justificou a decisão com a necessidade de concentrar todos os recursos humanos e financeiros na reconstrução do concelho, severamente afetado pelo mau tempo

A Câmara Municipal de Leiria decidiu não realizar a Feira de Leiria em 2026. A medida, anunciada pelo presidente Gonçalo Lopes, surge na sequência dos estragos extensos provocados pelas recentes intempéries no concelho. A tradição secular, que no ano passado atraiu cerca de setecentas mil pessoas, cede assim lugar a uma prioridade definida como inadiável: a recuperação do território.

A declaração foi feita aos jornalistas após mais uma reunião diária da Comissão Municipal de Proteção Civil, que funciona no quartel dos Bombeiros Sapadores. Gonçalo Lopes referiu “questões operacionais” como motivo imediato para o cancelamento. “As nossas equipas têm de estar direcionadas para esta missão”, explicou o autarca, sublinhando que a afetação da maior parte do orçamento municipal à reconstrução, nesta primeira fase, é o “principal objetivo”. A comunicação da decisão aos presidentes das juntas de freguesia já aconteceu e, segundo Lopes, foi aceite e compreendida. Muitas dessas freguesias cancelarão igualmente eventos previstos, canalizando esforços para o mesmo fim coletivo.

Conhecida igualmente por Feira de Maio, o evento constitui um marco na região, misturando divertimentos, concertos e gastronomia num arraial de dimensão nacional. As suas raízes são antigas, remontando a uma carta foral de 1142, do tempo de D. Afonso Henriques, ainda que o alvará que instituiu a feira anual date já do reinado de D. Dinis, em 1295. Séculos de história sofreram depois um impulso decisivo com a inauguração do caminho de ferro, em 1928, que ampliou o seu alcance e importância. Agora, o ritmo dos comboios e das festas parece fazer uma pausa forçada. O centro de operações montado nos Sapadores, símbolo de uma resposta a uma emergência, substitui temporariamente os carrosséis e as barracas decomes e bebes. A cidade vira-se para dentro, para se reerguer.

NR/HN/Lusa

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