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O distrito de Leiria, ainda a contas com os estragos provocados pelas depressões Kristin e Leonardo, enfrenta agora uma ameaça de contornos distintos. O comandante distrital da PSP, Domingos Urbano Antunes, confirmou esta sexta-feira a existência de relatos preocupantes. Indivíduos não identificados, alegando-se falsamente representantes de empresas de águas ou de electricidade, têm contactado telefonicamente os cidadãos. O pretexto, segundo as queixas recebidas, envolve a marcação de visitas para alegadamente medir caudais, verificar a qualidade da água ou inspeccionar ligações eléctricas, tudo supostamente relacionado com as consequências do mau tempo. O objectivo real, sustenta a autoridade policial, é a captação ilícita de dados pessoais e até informação sobre o número de residentes no domicílio.
Domingos Urbano Antunes foi peremptório nas recomendações. “Pedimos que não aceitem estas ajudas a não ser por via oficial”, afirmou, sublinhando que os cidadãos “não devem ceder quaisquer dados pessoais e nunca permitir a entrada dentro de casa” de desconhecidos. Este modus operandi, explicou o comandante, tira partido do ambiente de excepção e do processo paulatino de restabelecimento das comunicações, que ainda não estão totalmente normalizadas em algumas áreas. A burla, por ora, circunscreve-se ao canal telefónico.
O apelo da PSP surge num contexto de ampla devastação material. O temporal, que desde a semana passada provocou treze vítimas mortais em Portugal, centenas de feridos e desalojados, deixou um rasto de destruição em casas e infraestruturas. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram particularmente fustigadas, com cortes prolongados em serviços essenciais. Perante a dimensão dos estragos, o Governo decidiu prolongar até 15 de fevereiro a situação de calamidade em 68 concelhos, os quais poderão aceder a um pacote de apoios financeiros.
Apesar da gravidade da situação meteorológica e das suas sequelas, o comando da PSP em Leiria regista uma diminuição significativa da criminalidade reportada nas últimas semanas. Contudo, esta nova artimanha criminosa veio introduzir um factor de inquietação adicional. Antunes aproveitou ainda para fazer um outro alerta, de cariz diferente mas igualmente urgente: apelou aos cidadãos para que, no esforço de proteger e salvaguardar as suas propriedades, evitem correr “riscos desproporcionais”. Trabalhos em coberturas com elevado perigo de queda foram o exemplo dado. “Entendemos a urgência, mas não podemos perder o sentido de proteção da vida”, rematou o comandante distrital.
NR/HN/Lusa



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