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A quantia, equivalente a 28,8 milhões de euros, destina-se a sustentar um plano de resposta centrado nas províncias de Gaza, Maputo e em algumas zonas de Sofala, regiões particularmente fustigadas. Cláudio Julaia, especialista de emergência da Unicef em Moçambique, explicou à Lusa que o financiamento é imperativo para alargar o raio de ação e o número de beneficiários. A prioridade imediata, disse, assenta em garantir o acesso à água potável e a saneamento básico adequado nos centros de acomodação, que atualmente albergam mais de 75 mil deslocados. Julaia notou, com certa apreensão, que o número de latrinas disponíveis se revela francamente insuficiente para a população deslocada, criando um caldo propício para surtos de doença.
Para fazer face a estas necessidades, a agência já mobilizou cerca de 100 toneladas de diversos materiais, direcionados sobretudo para Gaza e Maputo. Paralelamente, a assistência médica e o fornecimento de medicamentos constituem outro pilar crítico da intervenção, dada a vulnerabilidade acrescida das populações afetadas. O apoio ao setor da saúde nacional, com equipamentos e outros materiais, visa assegurar que os serviços se mantenham acessíveis. Mas o cenário é complexo e vai além das necessidades físicas imediatas. Nos centros de acolhimento, a Unicef tenta conter riscos de violência contra as crianças, providenciando atividades de ocupação. “Para que não sejam desviadas para outro tipo de situações que não estão favoráveis”, referiu o especialista, numa alusão a perigos como a exploração.
A educação é outra frente de preocupação. O atraso no início do ano letivo, consequência direta do desastre, é encarado pela organização como um “risco” significativo para o desenvolvimento das crianças. Enquanto se aguarda a normalização, a Unicef distribui kits para escolas, alunos e professores e promove atividades educativas informais. A meta, nas próximas semanas, é estender o apoio humanitário a pelo menos 30 mil crianças. Já em janeiro, a agência alertara que mais de metade das pessoas então afetadas eram menores, sublinhando o perigo de uma “espiral perigosa” caso o socorro fosse interrompido. Guy Taylor, responsável de comunicação da Unicef no país, tinha então destacado que o acesso a serviços básicos como água, saúde e educação se tornara “incerto ou inseguro”, expondo as crianças, sobretudo raparigas e adolescentes, a maiores perigos de doença e violação.
Os números da calamidade continuam a escalar. Dados atualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a que a Lusa acedeu, indicam que as cheias afetaram já cerca de 170.248 famílias. O balanço parcial, desde 7 de janeiro, regista 145 feridos, nove desaparecidos e um património habitacional severamente danificado: 3.555 casas ficaram parcialmente destruídas, 832 foram totalmente arrasadas e outras 165.946 inundadas. No cômputo global desde o início da época chuvosa, em outubro, incluindo estes últimos episódios, a tragédia contabiliza 182 mortos, 289 feridos e uma impressionante marca de 844.932 pessoas afetadas, num país que parece respirar entre ciclones e inundações.
NR/HN/Lusa



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