Apoio psicológico reforçado na Marinha Grande após passagem da tempestade

7 de Fevereiro 2026

A Médicos do Mundo e a Cruz Vermelha Portuguesa uniram-se ao município da Marinha Grande para prestar apoio psicológico às vítimas da depressão Kristin. O objetivo é prevenir situações de stress pós-traumático e dar resposta ao impacto emocional causado pelo mau tempo

O município da Marinha Grande está a receber um apoio mais consistente no capítulo psicológico após a passagem devastadora da depressão Kristin. Duas organizações de peso, a Médicos do Mundo e a Cruz Vermelha Portuguesa, decidiram entrar em cena e estão agora a colaborar diretamente com as equipas locais. Esta conjugação de esforços, anunciada pela autarquia, visa precisamente conter os danos emocionais que, muitas vezes, permanecem muito depois de as águas baixarem.

O trabalho, conforme descrito numa nota oficial da câmara municipal, está focado no reforço do apoio psicológico, considerado tão crucial quanto a ajuda material numa situação de grande desgaste social. “O objetivo é garantir o reforço do apoio psicológico à população, tão essencial quanto a resposta material, especialmente numa situação de grande impacto social e emocional como a que se vive no concelho”, pode ler-se no documento. Há uma preocupação palpável em não deixar ninguém para trás, sobretudo quem viu a sua vida ficar submersa.

Na prática, a colaboração já se materializou. Foram destacadas três psicólogas que se integraram nas equipas de visitas domiciliárias. O seu alvo são casos prioritários, pessoas que se encontram numa espiral de vulnerabilidade. Falamos de munícipes cujo estado emocional se deteriorou de forma brusca devido à perda total ou parcial dos seus bens, à instabilidade habitacional que os atormenta ou à simples exposição, prolongada e aterradora, a situações de risco durante o temporal. A autarquia de Leiria refere um “conjunto alargado de medidas” que envolve, para além destas visitas, técnicos municipais especializados e psicólogos em permanência.

Este esforço conjunto, que começou a ganhar forma no início da semana, não se esgota no acompanhamento individual. Há toda uma intervenção pensada para as Zonas de Concentração e Apoio à População (ZCAP), aqueles espaços que acolhem quem ficou literalmente sem chão. É junto destas pessoas, “especialmente vulneráveis que ficaram desalojadas na sequência da tempestade Kristin”, que as ONG estão a atuar, com sessões de apoio em contexto de grupo. Um trabalho de bastidores que tenta restaurar algum senso de normalidade.

O Gabinete de Apoio à População, instalado no Edifício da Resinagem, funciona como ponto fixo de atendimento, das 09:00 às 18:00. Mas a partir deste sábado, dia 07 de fevereiro, o plano vai mais longe. A intervenção será ampliada com ações pensadas especificamente para as crianças que permanecem nas ZCAP. A ideia é proporcionar-lhes um acompanhamento emocional adequado à tenra idade, promovendo estratégias que lhes devolvam uma sensação, ainda que ténue, de regulação, segurança e conforto.

Para sustentar esta rede de suporte, outras entidades foram mobilizadas. A Ordem dos Psicólogos Portugueses e o projeto “Manicómio” vão facultar uma bolsa de profissionais que prestarão apoio tanto presencial como online, com a necessária articulação técnica no terreno. “Este trabalho conjunto visa criar uma resposta especializada e contínua, focada na recuperação emocional das famílias, na estabilização psicológica e na prevenção de situações de stress pós-traumático”, rematou a autarquia. Uma corrida contra o tempo, onde o adversário é o trauma silencioso que se instala quando as câmaras de televisão já se desligaram há muito. A verdade é que a reconstrução de uma comunidade mede-se também pela saúde mental dos seus habitantes, um processo invariavelmente mais lento e complexo do que a remoção dos destroços.

NR/HN/Lusa

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