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A associação de utentes da Unidade de Alcoologia de Lisboa (UAL) alertou para a perda progressiva de respostas da unidade desde 2020, destacando que as consultas de ambulatório não substituem o serviço de internamento, encerrado há quase seis anos. Jorge Guerra, dirigente da associação Por M.I.M. – Amigos da UAL e antigo paciente, referiu que o internamento gratuito, com duração de 28 dias, oferecia não só consultas de rotina mas também um programa de acompanhamento psicoterapêutico e atividades terapêuticas fundamentais para a recuperação dos utentes.
Segundo Jorge Guerra, várias dezenas de pessoas necessitam do tratamento que anteriormente era disponibilizado pela unidade, sendo que as alternativas existentes são tratamentos caros e prolongados, que nem todos estão dispostos a aceitar. Esta semana, foi encerrado o programa “O caminho”, que também promovia atividades terapêuticas e a partilha de experiências entre pacientes.
O dirigente denunciou ainda a falta de profissionais na UAL, com uma diminuição significativa de enfermeiros e médicos nos últimos anos, e o desvio de alguns profissionais para unidades onde apenas são realizadas consultas de rotina e prescrição de medicamentos. Jorge Guerra alertou que os pacientes precisam, para além da medicação, de um apoio psicológico robusto.
A associação Por M.I.M. enviou uma carta à imprensa a denunciar que os encerramentos, inicialmente prometidos como temporários, se tornaram permanentes. O serviço de internamento da UAL encerrou em março de 2020, com comunicações que previam a reabertura para setembro desse ano, o que não ocorreu. Desde então, têm-se sucedido apelos para a sua reabertura.
Num contexto em que o alcoolismo continua a ter um impacto significativo na saúde pública, na economia, na vida das famílias e é um dos principais fatores causadores de violência doméstica e acidentes rodoviários, a associação exige esclarecimentos transparentes sobre o desaparecimento gradual desta unidade.
Criada em 1967, a Unidade de Alcoologia de Lisboa está atualmente sob a tutela do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), do Serviço Nacional de Saúde. Jorge Guerra marcou uma audiência com a presidente do ICAD, Joana Teixeira, para o dia 26 de fevereiro, com o intuito de sublinhar a importância do serviço de internamento e discutir a sua possível reabertura.
Contactado pela Lusa, o ICAD remeteu esclarecimentos sobre o encerramento do programa “O caminho” e a reabertura do internamento para uma data posterior .
lusa/HN/AL



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