![]()
A exposição abre ao público no domingo de Carnaval, data em que se assinala a Luta contra o Cancro Infantil, e poderá ser visitada até 12 de abril. Em exibição estarão chapéus formais e criações de carácter mais lúdico, num conjunto que cruza arte, design, imaginação e intervenção social.
O projeto resulta de uma experiência realizada em 2024, quando, para assinalar o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos na Infância, o Museu da Chapelaria levou diferentes acessórios de cabeça ao Serviço de Pediatria do IPO do Porto, permitindo que crianças e jovens internados os experimentassem. Dessa iniciativa nasceu a ideia de aprofundar a parceria em 2026, agora no próprio museu, envolvendo diretamente algumas crianças do IPO, que visitarão o espaço cultural e, pelas 15:00 do dia da inauguração, desfilarão com os chapéus antes de estes integrarem as vitrinas da exposição.
Para a diretora do museu, Tânia Reis, a iniciativa reforça a dimensão social da instituição. “O nosso museu não é apenas um local que expõe objetos – é um espaço ao serviço da comunidade”, afirmou à Lusa, sublinhando que, através de chapéus “tão distintos e variados”, a exposição pretende chamar a atenção para o cancro infantil e promover uma reflexão crítica sobre a sociedade, evitando a indiferença perante o que acontece em redor.
Também o presidente do conselho de administração do IPO do Porto, Júlio Oliveira, destaca o significado simbólico das peças criadas no âmbito da iniciativa, considerando que cada chapéu reflete “criatividade, coragem e solidariedade” e constitui um testemunho do impacto positivo da arte, da expressão criativa e do envolvimento comunitário na vida dos doentes.
A exposição “Chapéus com aTTitude” assume assim um duplo propósito: reforçar a importância dos cuidados paliativos pediátricos e sensibilizar a sociedade para os desafios enfrentados por crianças e jovens com doenças oncológicas, recorrendo à linguagem universal da criatividade e do design.
Entre os designers e chapeleiros profissionais que se associaram ao projeto com criações exclusivas contam-se Alexandra Moura, Andreia Lobato, Celso Assunção, Juliana Regadas, Katty Xiomara, Luís Stoffel e Sofia Caldas.
Do lado do IPO do Porto, a produção dos chapéus foi coletiva, envolvendo médicos, enfermeiros, profissionais administrativos e investigadores. Segundo Tânia Reis, participaram vários serviços da instituição, incluindo o próprio conselho de administração e o laboratório Outcomes Research Lab, cada um com propostas que traduzem o quotidiano hospitalar através de uma abordagem criativa.
Algumas peças recorrem a metáforas ligadas ao universo da fantasia infantil. É o caso do chapéu desenhado por Celso Assunção, predominantemente em feltro verde, que evoca figuras como o Chapeleiro Louco de “Alice no País das Maravilhas” e a Fada Sininho das histórias de Peter Pan. O autor descreve a criação como uma peça artística que celebra o poder do imaginário infantil e a magia dos heróis, funcionando como metáfora visual de uma viagem para além do óbvio, onde cada criança pode encontrar o herói dentro de si.
Outras propostas optam por símbolos mais diretos e imediatos. O Serviço de Gestão de Doentes do IPO apresenta um chapéu cujo topo reproduz um balão de ar quente, enquanto o Serviço de Radiologia concebeu uma cartola dominada por tons de verde, com relevos de flores e plantas que remetem para a ideia de um jardim. “Tudo sítios onde as crianças internadas preferiam estar”, admite a diretora do Museu da Chapelaria.
lusa/HN/AL



0 Comments