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A Danone ampliou significativamente o perímetro da recolha de alimentos para lactentes e crianças na Europa, numa decisão que abrange agora mercados como o Reino Unido, a Espanha, a Alemanha, a Croácia e a Eslovénia. A ação surge na sequência de alertas relacionados com a eventual contaminação por cereulida, uma toxina que pode provocar problemas gastrointestinais.
A Autoridade de Segurança Alimentar do Reino Unido (FSA) confirmou que cerca de quinze lotes com prazos de validade distintos, das marcas Aptamil e CowGate, foram retirados do mercado espanhol. Este movimento representa uma extensão direta do recall inicialmente divulgado a 23 de janeiro, ilustrando como a investigação sobre a origem do problema tem evoluído e forçado ajustes contínuos nas medidas corretivas.
Do outro lado dos Pirenéus, a Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição (Aesan) não ficou imune a este alargamento. O organismo atualizou o seu próprio alerta, emitido originalmente a 24 de janeiro, para incluir as marcas Almiron e Blédina, também estas pertencentes ao gigante francês. A comunicação oficial, cautelosa, limitou-se a informar que, “com base no princípio de precaução, a empresa fabricante decidiu retirar novos produtos e lotes”, recomendando que os consumidores se abstenham de utilizar qualquer unidade abrangida pela notificação.
Pela plataforma europeia de alerta rápido para alimentos e rações (RASFF), ficou-se a saber que a onda de recolhas também já atingiu a Alemanha, a Croácia e a Eslovénia. Este desenvolvimento surge logo após o anúncio, feito na quinta-feira, de que a Danone havia mandado retirar da Áustria e da Alemanha um volume superior a 120 lotes de leites Aptamil e Milumil. Em Portugal, uma fonte oficial da empresa disse à Lusa que o processo de recolha preventiva de cinco lotes específicos de leite infantil Aptamil já está em curso.
O cerne da questão reside na cereulida, uma substância tóxica produzida por certas estirpes da bactéria Bacillus cereus. A sua ingestão, ainda que em quantidades reduzidas, está associada a episódios de vómitos e diarreia, sobretudo em populações mais vulneráveis. O caso ganhou contornos mais sérios quando cientistas da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) recomendaram, esta segunda-feira, uma redução drástica dos limites toleráveis desta toxina precisamente nas fórmulas para os mais novos.
O rasto da contaminação, segundo apurou a agência AFP, leva até um ingrediente específico: um óleo enriquecido com ácido araquidónico fabricado pela empresa chinesa Cabio Biotech, um fornecedor que conta com vários grandes nomes da indústria alimentar no seu portfólio. Esta descoberta ajuda a explicar a natureza alargada do problema, que transcende uma única marca ou grupo.
Na verdade, todo este processo parece ter sido despoletado por uma ação em cadeia. Tudo começou em meados de dezembro, quando a Nestlé se viu forçada a retirar de circulação dezenas de lotes de leites em pó em quase sessenta países. Esse recall inicial, de proporções raras, funcionou como um detonador, levando subsequentemente outros fabricantes, como a própria Danone e a Lactalis, para além de companhias de menor dimensão, a reverem os seus produtos e a lançarem operações semelhantes em vários pontos do globo. Uma teia complexa de fornecedores e produtos interligados que, face a um alerta, coloca toda uma indústria em estado de atenção.
NR/HN/Lusa



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