Hospital de Leiria contabiliza quase mil feridos após passagem da depressão Kristin

7 de Fevereiro 2026

O Hospital de Santo André, em Leiria, registou 984 pessoas com traumas desde 28 de janeiro, data do impacto da depressão Kristin. O dado foi avançado na reunião da Proteção Civil municipal, que conta com a presença da administração hospitalar

O número concreto de 984 feridos tratados no Hospital de Santo André, em Leiria, desde que a depressão Kristin atingiu a região a 28 de janeiro, veio a público esta quinta-feira, dia 6 de fevereiro. A informação, que espelha apenas a atividade de um único centro hospitalar, surgiu na habitual reunião diária da Comissão Municipal de Proteção Civil de Leiria, que tem o seu centro de operações instalado nos Bombeiros Sapadores da cidade.

Na reunião, que juntou várias entidades, marcou presença o presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria, Manuel Carvalho. Os feridos começaram a chegar na madrugada de dia 28, resultado do impacto direto do temporal. Já a partir da tarde desse mesmo dia, os traumas passaram a estar maioritariamente associados aos trabalhos de limpeza e às tentativas de reconstrução que a população e os serviços iniciaram.

A ULS da Região de Leiria, que integra os hospitais de Leiria, Pombal e Alcobaça e dez centros de saúde, cobre uma área vasta que inclui os concelhos de Alcobaça, Batalha, Marinha Grande, Nazaré, Ourém, Pombal e Porto de Mós, para além do próprio município de Leiria. Este dado local contrasta com a ausência de uma contabilidade nacional oficial. O Ministério da Saúde, questionado pela agência Lusa desde 30 de janeiro, remeteu para a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde, que não tem tornado públicos os números totais de feridos a nível nacional.

As consequências da passagem das depressões Kristin e Leonardo já provocaram treze vítimas mortais em Portugal. Para lá da tragédia humana, o balanço material é profundamente gravoso: habitações e empresas destruídas, infraestruturas danificadas, vias cortadas e interrupções prolongadas nos serviços essenciais de energia, água e comunicações. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais fustigadas.

Face à dimensão dos estragos, o Governo tem vindo a prolongar sucessivamente o estatuto de calamidade para um conjunto alargado de concelhos. Inicialmente decretada para cerca de 60 municípios até 1 de fevereiro, a situação foi estendida até dia 8 para 68 concelhos e, agora, nova prorrogação garante o seu vigor até 15 de fevereiro. Estas zonas deverão beneficiar de um pacote de apoios que poderá atingir os 2,5 mil milhões de euros, uma verba que tenta responder a um cenário de destruição que ainda está por quantificar na sua totalidade.

A reunião em Leiria, focada na operacionalidade local, acabou por revelar um indicador parcelar, mas significativo, do custo humano deste período de intempéries. Enquanto isso, a contagem nacional permanece uma incógnita.

NR/HN/Lusa

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