Vila Franca do Campo mantém recomendação de ferver água apesar de análises favoráveis

7 de Fevereiro 2026

A Câmara Municipal de Vila Franca do Campo informou que as análises bacteriológicas à rede de abastecimento não detetaram contaminação. No entanto, e por precaução, mantém o conselho para que a água seja fervida antes do consumo em cinco freguesias, afetadas por uma derrocada na nascente do Galego.

A água da rede pública em cinco freguesias de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, regressa a um patamar de consumo condicional. Segundo um edital emitido esta sexta-feira pela autarquia, as análises realizadas não acusaram presença de contaminação bacteriológica. Apesar deste resultado tranquilizador, o município, seguindo indicações da autoridade de saúde local, continua a recomendar que a população ferva a água para consumo direto e para confecionar alimentos. Uma medida de precaução que se mantém enquanto decorrem trabalhos na rede.

O problema teve origem numa derrocada que atingiu a nascente do Galego na passada terça-feira, comprometendo o abastecimento nas zonas altas das freguesias de São Pedro, São Miguel, Ribeira Seca, Ribeira das Tainhas e Ponta Garça. Durante dias, a água foi considerada imprópria para consumo, um susto que levou à mobilização dos Bombeiros Voluntários para distribuição alternativa.

Agora, com os primeiros testes laboratoriais a darem negativo para bactérias, o cenário começa a normalizar-se, embora com ressalvas. A presidente da câmara, Graça Melo, explicou à agência Lusa que, apesar dos bons resultados das análises feitas há 48 horas, a decisão de manter a recomendação de fervura prende-se com os trabalhos de limpeza e manutenção que ainda decorrem no sistema. “O Serviço de Proteção Civil Municipal e a delegada de Saúde de Vila Franca do Campo entendem que se deve aconselhar a população”, referiu a autarca socialista.

Em paralelo, arrancou o processo para avaliar os estragos e encontrar uma solução duradoura para a nascente. Graça Melo esteve no local do incidente com técnicos da Secretaria Regional do Ambiente. Desse reconhecimento saiu a perceção de que será necessário um estudo geológico e geotécnico mais aprofundado. A reconstrução do edifício que protege a nascente do Galego está também na mesa como uma necessidade premente.

Uma nova recolha de amostras para análise foi realizada esta sexta-feira, com resultados expectáveis para segunda-feira. Esse dia ficará ainda marcado por uma visita técnica ao local no âmbito do projeto LIFE Climaz, que junta várias entidades com foco em adaptação às alterações climáticas. O município espera que estas iniciativas tragam respostas mais definitivas.

Com a rede pública a voltar a ser uma opção – ainda que com aquele conselho de fervura –, a autarquia deu por terminado, a partir de hoje, o serviço de distribuição de água através dos bombeiros. A população, contudo, mantém-se numa espécie de limiar, entre o alívio por ver afastado o risco bacteriológico e a persistência de uma rotina cautelar cada vez que abre a torneira. O episódio expôs, de forma algo abrupta, a vulnerabilidade de um sistema dependente de uma nascente numa encosta instável.

O edital com a nova informação está disponível para consulta no portal do município.

NR/HN/Lusa

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