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A rotina da casa dos Hesse, nos arredores de Estocolmo, transformou-se radicalmente durante as últimas semanas. Brinquedos, utensílios de cozinha, móveis e até colchões desapareceram, substituídos por objetos de madeira, metal, lã e cerâmica. Esta foi a realidade vivida pela família de Emelie e Walter Hesse e seus dois filhos, que aceitaram o desafio proposto por investigadores do Instituto Real de Tecnologia da Suécia (KTH): viver um mês sem praticamente nenhum plástico.
Cada membro da família pôde reter dez itens pessoais de plástico, para além de eletrodomésticos grandes, computadores e telemóveis. Todo o resto foi metodicamente removido pelos investigadores. A líder do projeto, Sara Ilstedt, professora de design de produto e serviço no KTH, coordenou a logística complexa. A equipa procurou em lojas de segunda mão e fornecedores especializados alternativas viáveis para preencher o vazio deixado por centenas de objetos. “Ficámos surpreendidos com a quantidade de alternativas sem plástico que realmente existem”, admitiu Ilstedt, num tom que misturava descoberta com alívio perante a exequibilidade prática.
Para Emelie Hesse, a motivação partiu da curiosidade e de uma vontade de explorar um quotidiano mais sustentável. Os primeiros dias, contudo, não foram simples. Os produtos de higiene e alguns eletrodomésticos de cozinha revelaram-se obstáculos difíceis de contornar. Ainda assim, com o passar do tempo, a estranheza deu lugar a uma sensação de despojamento. “Percebemos o quanto tínhamos acumulado ao longo do tempo — coisas que nem estavam a ser usadas. Mudar hábitos foi, muitas vezes, mais fácil do que pensávamos”, refletiu Emelie. Uma das maiores apreensões dos pais era a reação das crianças à perda dos seus brinquedos habituais. O resultado, porém, contrariou as expetativas. “Correu muito bem”, afirmou Emelie. “Especialmente os brinquedos [de materiais naturais], que genuinamente estimularam a criatividade das crianças.”
No final do período experimental, os investigadores ofereceram-se para devolver todos os itens removidos. A família, contudo, recusou uma parte significativa, optando por manter várias das substituições não plásticas. Esses objetos integrarão uma exposição futura em Estocolmo, servindo de testemunho físico da experiência. Paralelamente, a equipa científica prossegue com a análise quantitativa do estudo. Todos os cerca de 400 quilos de plástico recolhidos foram fotografados e pesados. Estão em curso cálculos climáticos para estimar as emissões de carbono associadas a cada produto, que posteriormente serão comparadas com o impacto dos substitutos.
Sara Ilstedt sublinha que o exercício tinha um duplo objetivo: visualizar a omnipresença silenciosa do plástico e investigar caminhos para a sua substituição. “A experiência mostra que o plástico está profundamente embebido nas nossas vidas, mas também que a mudança é possível”, declarou. As vivências da família Hesse, segundo a investigadora, oferecem pistas concretas sobre “aquilo de que conseguimos realmente prescindir — e o que ainda não pode ser substituído, áreas onde é necessária inovação”. O estudo integra o projeto internacional REDUCE, uma investigação interdisciplinar sobre a redução do uso de plástico, cuja vertente sueca é coordenada pela KTH.
Referência bibliográfica:
KTH The Royal Institute of Technology. (2026, 5 de fevereiro). Researchers removed all plastic from a family’s home — Here’s what they found. Acedido em [data de acesso], em https://www.kth.se/aktuellt/nyheter/forskare-tog-bort-all-plast-fran-familjs-hem-har-ar-vad-de-fick-reda-pa-1.1323141
NR/HN/AlphaGalileo



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