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O gabinete do Dalai Lama emitiu uma declaração formal a negar qualquer tipo de relação ou encontro entre o líder espiritual budista e o financiero Jeffrey Epstein, cujo nome surgiu em documentos judiciais recentemente tornados públicos. A posição, divulgada nas redes sociais na sexta-feira, surge em resposta a uma peça noticiosa da China Global Television Network, um meio de comunicação controlado pelo Estado chinês. A referida reportagem indicava que o nome do Dalai Lama aparecia aproximadamente 169 vezes nos chamados arquivos de Epstein.
Essas menções, contudo, parecem circunscritas a registos de email e entradas de calendário datadas de 2012. Nestes registos, Jeffrey Epstein, que viria a ser encontrado sem vida na sua cela em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores, tentava marcar encontros e eventos que supostamente incluíam a presença da figura tibetana. Não há qualquer indício, segundo os documentos conhecidos, de que essas tentativas tenham sido alguma vez concretizadas ou sequer respondidas pela equipa do Dalai Lama.
“Podemos confirmar categoricamente que Sua Santidade nunca se encontrou com Jeffrey Epstein, nem autorizou qualquer encontro ou interação com ele por parte de qualquer pessoa em seu nome”, afirmou o porta-voz Tenzin Taklha no comunicado. A mensagem começa por referir que “algumas reportagens recentes e publicações em redes sociais sobre os ‘arquivos de Epstein’ tentam ligar Sua Santidade o Dalai Lama a Jeffrey Epstein”, uma associação que a declaração pretende extinguir de forma perentória.
O episódio ganha contornos políticos adicionais, dado o histórico de tensões entre o governo chinês e o Dalai Lama, que vive no exílio desde 1959. A cobertura feita por um media estatal chinês sobre o assunto foi amplamente replicada, alimentando narrativas nas redes sociais. Analistas observam que Pequim frequentemente descreve o Dalai Lama como uma figura que busca a separação do Tibete, acusação que ele próprio sempre rejeitou, afirmando defender apenas uma autonomia significativa para a região. Esta não é a primeira vez que surge uma controvérsia ligando figuras públicas de alto perfil a Epstein, cujos associados continuam a ser escrutinados anos após a sua morte.
A negação foi enfática e não deixou margem para ambiguidades. O tom utilizado procurou encerrar o assunto de forma definitiva, sem entrar em detalhes sobre a natureza específica das menções nos arquivos ou especular sobre os motivos de Epstein. A estratégia de comunicação optou por uma refutação simples e direta, evitando um debate prolongado que pudesse alimentar ainda mais as especulações. O silêncio da equipa do Dalai Lama nos dias que antecederam o comunicado já tinha sido notado, criando uma expectativa que foi agora dissipada.
NR/HN/Lusa



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