Micoproteína mostra digestibilidade comparável à proteína animal em investigação sueca

8 de Fevereiro 2026

Um estudo da Universidade de Borås conclui que a proteína fúngica é digerida com eficiência semelhante à do frango e do peixe. A pesquisa aponta ainda uma melhor absorção de ferro face a outros ingredientes vegetais, devido à ausência de fitatos

O potencial da micoproteína, derivada de fungos filamentosos comestíveis, para integrar dietas humanas ganha novo sustento científico. Trabalhos recentes realizados na Universidade de Borås, na Suécia, indicam que este ingrediente não só apresenta um perfil de aminoácidos adequado às necessidades nutricionais, como é digerido pelo organismo de maneira tão eficiente quanto proteínas convencionais como as do frango e do peixe. A descoberta surge no contexto de uma procura crescente por fontes proteicas alternativas, que se pretende sejam sustentáveis.

A investigação, que culminou numa tese de doutoramento, centrou-se no destino gastrointestinal in vitro da micoproteína e nos seus minerais. Ricky Wang, autor do trabalho, procurou perceber até que ponto os nutrientes destes fungos se tornam acessíveis após a digestão. Um aspeto particularmente relevante prendeu-se com a biodisponibilidade mineral. Ao contrário de muitas fontes vegetais que contêm fitatos – compostos que inibem a absorção de minerais –, a micoproteína mostrou-se isenta desta substância. Essa característica levou a que o ferro presente no fungo se revelasse mais disponível para absorção, um dado que pode ter implicações nutricionais significativas.

Os métodos empregues seguiram protocolos estandardizados, simulando as condições do trato digestivo humano num ambiente laboratorial. Contudo, os resultados não foram uniformes para todos os fungos estudados. A própria investigação acabou por revelar que o valor nutricional final destes organismos não é uma constante; ele flutua de forma sensível, influenciado pela estirpe fúngica utilizada e, sobretudo, pela estratégia e meio de cultivo adotados. Por exemplo, fungos cultivados em subprodutos da indústria vitivinícola apresentaram um desempenho nutricional menos robusto comparativamente ao cultivo em meios baseados em açúcar.

“Os fungos filamentosos têm um potencial considerável como fonte proteica sustentável”, afirmou Ricky Wang, traçando um horizonte de possibilidades. “Com as técnicas de cultivo apropriadas, eles poderão transformar-se num elemento-chave para sistemas de produção alimentar mais resilientes e com menor impacto climático.” A observação remete para um campo de desenvolvimento onde a otimização de processos pode ser decisiva para explorar plenamente as capacidades destes organismos.

O trabalho, que se alinha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, nomeadamente no que toca à erradicação da fome e à promoção da saúde, é apresentado como um contributo para um domínio de estudo ainda relativamente recente. A indústria alimentar, especialmente os atores que investem em proteínas alternativas, surge como natural destinatária destas conclusões. O caminho, porém, parece exigir mais investigação. Como nota o próprio autor, é necessário aprofundar o conhecimento para compreender integralmente as virtualidades e os limites da micoproteína na produção de alimentos.

Referência bibliográfica:
Wang, R. (2026). In vitro Gastrointestinal Fate of Edible Filamentous Fungi: Protein and Mineral Digestibility for Food Applications (Tese de doutoramento). Universidade de Borås, Suécia. Disponível em: https://www.hb.se/en/about-ub/current/news-archive/2026/february/new-research-strengthens-the-potential-of-mycoprotein-as-an-alternative-to-meat/

NR/HN/AlphaGalileo

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