Conferência no Iscte debate oportunidades e riscos da Inteligência Artificial em Saúde

9 de Fevereiro 2026

No âmbito da conferência “IA em Saúde: Fundamentos, essenciais e aspetos estratégicos”, realizada no Iscte Executive Education, em Lisboa, especialistas e profissionais do setor da saúde debateram os desafios e oportunidades da Inteligência Artificial (IA) aplicada à área da saúde. 

O evento contou com a participação de cerca de uma centena de pessoas e enfatizou a importância de uma adoção crítica, ética e centrada nas pessoas face às rápidas evoluções tecnológicas.

Ricardo Baptista Leite, CEO da Health AI – Agência Global para a Inteligência Artificial Responsável, alertou para os riscos da utilização acrítica da IA, especialmente em contextos de diagnóstico e decisão clínica. Sublinhou que o maior desafio não reside na inovação tecnológica em si, mas na capacidade dos sistemas de saúde para integrar essas inovações, que evoluem a um ritmo superior ao da adaptação institucional. Segundo Baptista Leite, as competências exigidas aos profissionais de saúde estão a mudar: a memorização cede lugar à análise crítica, essencial para lidar com as novas ferramentas de IA. Defendeu ainda que os profissionais devem assumir um papel ativo no desenho das aplicações de IA e na reorganização dos sistemas de saúde.

Arlindo Oliveira, professor do Instituto Superior Técnico (IST) e presidente do INESC, destacou que o avanço acelerado da tecnologia surpreendeu o meio científico, mencionando que, há menos de uma década, ninguém previa que modelos de linguagem pudessem discutir temas complexos ou apoiar diagnósticos médicos. Contudo, frisou que o principal obstáculo atual não é a tecnologia, mas sim a sua integração adequada nos processos, algo que pode levar anos num ambiente hospitalar. Oliveira salientou também a necessidade de equilíbrio na formação dos futuros profissionais, afirmando que não basta ensinar apenas a interagir com sistemas de IA (como a criação de prompts), mas que ainda não existem respostas definitivas sobre o que deve ou não ser ensinado. Alertou para questões emergentes relacionadas com responsabilidade, transparência e ética, decorrentes do facto de os sistemas de IA serem treinados com base em dados e exemplos.

A conferência, moderada por José Crespo de Carvalho, enquadra-se na estratégia do Iscte Executive Education de promover a gestão e inovação em saúde, posicionando-se como um espaço de reflexão crítica e de capacitação de líderes para decisões responsáveis num setor em profunda transformação tecnológica.

O Iscte Executive Education é reconhecido como a primeira escola de negócios para executivos associada a uma universidade em Portugal, desde 1988. A instituição destaca-se pelo seu enfoque aplicacional e pela forte ligação ao tecido empresarial, promovendo uma aprendizagem baseada em situações reais, conceito que denomina “Real-Life Learning”

NR/HN/AL

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Abel García Abejas, Médico
MGF Cuidados Paliativos; Doutorando em Medicina, Docente de Bioética na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior

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