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HN – Como Coordenador Científico do Update em Medicina 2026, pode explicar a visão estratégica por trás da introdução do novo modelo de sessões simultâneas e personalizadas?
APM – Optámos por introduzir sessões simultâneas e personalizadas porque queríamos tornar a formação médica contínua mais flexível e realmente adaptada à prática clínica. Assim, cada profissional pode escolher os conteúdos que mais se adequam aos seus interesses e às suas prioridades, algo que se torna cada vez mais importante face à complexidade e diversidade dos cuidados de saúde.
Além disso, organizar as sessões em simultâneo permite combinar diferentes formatos, como debates, workshops práticos e sessões de perguntas e respostas com especialistas. Isto enriquece a experiência de aprendizagem e dá aos participantes a oportunidade de atualizar os seus conhecimentos de forma mais prática, personalizada e relevante para o seu dia a dia clínico.
HN – O programa do Update 2026 integra temas emergentes como o impacto dos ecrãs no neurodesenvolvimento infantil, o burnout e a saúde mental em contexto laboral. Como estes tópicos refletem as preocupações da prática clínica atual e que papel deve ter a formação contínua na preparação dos médicos para estes novos desafios sociosanitários?
APM – Os temas emergentes do Update 2026 refletem preocupações muito atuais da prática clínica. No que diz respeito ao impacto dos ecrãs, o médico de família tem um papel essencial na deteção precoce, na orientação aos pais e na implementação de estratégias preventivas, promovendo hábitos saudáveis e acompanhando de forma próxima o desenvolvimento das crianças.
O aumento do burnout e de problemas de saúde mental no trabalho evidencia a importância do médico de família como primeiro ponto de contacto. A formação contínua permite atualizar conhecimentos e equipar os clínicos com ferramentas práticas para enfrentar estes desafios, reforçando o seu papel central na gestão integrada de situações complexas.
HN – Uma das inovações pedagógicas desta edição são as sessões hands-on. Como é que esta metodologia promove uma aplicação mais prática e crítica do conhecimento, especialmente em áreas como a reumatologia e a neurologia no contexto dos cuidados primários?
APM – As sessões hands-on permitem transpor a teoria para a prática clínica de forma imediata. Em áreas como a reumatologia e a neurologia, isto é especialmente útil, porque muitas decisões nos cuidados primários exigem realização de manobras semiológicas, interpretação crítica de exames e ajustamento individualizado de terapêuticas.
Estas metodologias estimulam reflexão, discussão e execução prática de manobras semiológicas, ajudando o médico de família a gerir casos complexos de forma segura e eficaz e fortalecendo competências essenciais para uma atuação clínica proativa, contextualizada e centrada no doente.
HN – Em Portugal, os cuidados de saúde primários enfrentam pressões significativas, incluindo a gestão de doentes crónicos complexos e a necessidade de resposta a problemas de saúde mental. Como é que o Update 2026 procura capacitar o Médico de Família para responder a estas exigências, nomeadamente por meio de ferramentas como os toolkits clínicos e as sessões de gestão integrada?
APM – O Update 2026 procura capacitar o médico de família através de toolkits clínicos e sessões de gestão integrada, oferecendo ferramentas práticas para organizar o cuidado de doentes crónicos e gerir questões de saúde mental de forma estruturada.
Estas metodologias permitem ao clínico responder de forma eficiente e integrada às necessidades crescentes da população, facilitando a deteção precoce, a intervenção adequada e o acompanhamento contínuo dos doentes, reforçando o papel central do médico de família na coordenação e gestão do cuidado em CSP.
HN – A edição de 2026 inclui uma avaliação facultativa por área temática, com possibilidade de valorização curricular. De que modo este mecanismo contribui para a consolidação de competências e para o reconhecimento profissional, num contexto em que a acreditação europeia (EACCME) também é um objetivo?
APM – A avaliação facultativa por área temática é uma forma de os participantes consolidarem o que aprenderam, reforçando a compreensão prática e a aplicação clínica dos conteúdos. Ao mesmo tempo, dá reconhecimento formal e valorização curricular pelo empenho na formação contínua.
Este mecanismo está alinhado com a acreditação europeia (EACCME), permitindo aos médicos obter créditos reconhecidos internacionalmente, o que reforça a mobilidade, a credibilidade e o reconhecimento da sua competência, incentivando uma aprendizagem estruturada, prática e certificada.
HN – Como é que o Update em Medicina equilibra, no seu programa científico, a abordagem de doenças cardiovasculares e infeciosas — áreas clássicas e com elevada carga de doença — com temas de gestão organizacional, ética e inovação em saúde? Que importância atribui a esta dimensão mais transversal da prática médica?
APM – No Update 2026 procuramos equilibrar a atualização em áreas de elevada carga de doença, como doenças cardiovasculares e infeciosas, entre outras, com temas transversais como gestão organizacional, ética e inovação em saúde. Esta combinação permite que os participantes se mantenham atualizados sobre os desafios clínicos e desenvolvam competências essenciais para uma prática integrada e sustentável.
Esta dimensão transversal prepara os médicos para liderar equipas, tomar decisões éticas complexas e incorporar inovações de forma eficiente, reforçando a capacidade de oferecer cuidados centrados no doente e adaptados à realidade multifacetada dos cuidados de saúde atuais.
HN – Olhando para o futuro da formação médica contínua em Portugal, que tendências considera mais relevantes e como o Update pretende continuar a evoluir para manter a sua relevância e impacto na prática clínica dos seus participantes?
APM – O futuro da formação médica contínua passa por programas cada vez mais personalizados, interativos e integrados, capazes de responder à diversidade de perfis profissionais e às exigências crescentes da prática clínica. Tendências como aprendizagem híbrida, sessões hands-on, debates críticos e ferramentas digitais de apoio à decisão tornam-se centrais para consolidar competências de forma prática e contextualizada.
O Update pretende evoluir acompanhando estas tendências, reforçando a personalização do programa, promovendo metodologias ativas e incorporando inovação científica e tecnológica, capacitando os médicos de família a responder de forma eficiente e integrada às necessidades da população.
Entrevista MMM



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