Castanheira de Pera: cem habitações já recuperadas após temporal

10 de Fevereiro 2026

O município de Castanheira de Pera concluiu operações de emergência em cem das 525 habitações danificadas pela depressão Kristin. A eletricidade está quase reposta, mas as redes de telecomunicações continuam com problemas graves. A Câmara mantém apoios no terreno

A Câmara Municipal de Castanheira de Pera informou que as equipas técnicas já intervieram numa centena de habitações, das 525 identificadas com estragos após a passagem da depressão Kristin, no final de janeiro. As ações, que incluíram a reposição de telhas e a colocação provisória de lonas, fazem parte da resposta de emergência que o município tem no terreno há quase duas semanas.

No comunicado divulgado, a autarquia liderada por António Henriques especificou que, para além dessas equipas dedicadas aos imóveis, foram mobilizados outros serviços para apoio direto à população. O estaleiro municipal funciona como um banco gratuito de telhas, e o pavilhão garante acesso a banhos quentes. Enquanto isso, o quartel dos bombeiros e a Biblioteca Municipal disponibilizam pontos para carregar equipamentos eletrónicos e acesso à Internet, sendo que nesta última há condições para trabalho remoto, uma necessidade que se tornou premente para alguns.

A ação social, articulada com a Misericórdia local, assegurou acompanhamento a 303 pessoas consideradas mais vulneráveis. Entre elas estão sete desalojados, oito doentes que necessitam de oxigenoterapia diária e ainda pessoas com apneia do sono, que foram alojadas numa sala da própria Santa Casa. A quase vinte famílias foram distribuídas lanternas e pilhas, e outras sete receberam cabazes de produtos alimentares de primeira necessidade.

Para facilitar o acesso aos pedidos de ajuda, a autarquia criou um grupo de trabalho específico e colocou um serviço móvel a percorrer as aldeias do concelho, alternativa ao balcão físico nos Paços do Concelho. O Plano Municipal de Emergência tinha sido ativado na manhã de 28 de janeiro, quando o temporal se fez sentir com mais intensidade. Os estragos foram múltiplos: quedas de árvores sobre casas e estradas, movimentos de terras, colapso parcial de estruturas, inundações por falha em coberturas e danos extensos nas redes de comunicações e elétrica.

No capítulo das infraestruturas, a situação apresenta-se heterogénea. A Câmara adianta que foram identificados 60 danos na rede elétrica de média tensão, estando os da baixa tensão ainda a ser contabilizados. A energia, contudo, está praticamente reposta, com ressalva para alguns casos isolados. Já no que toca às telecomunicações, o cenário é mais complicado. Os prejuízos na rede fixa são descritos como “grandes e difíceis de contabilizar”, tendo a situação sido apenas “parcialmente regularizada”.

Na semana passada, o presidente da Câmara, António Henriques, avançou uma estimativa preliminar de prejuízos na ordem dos cinco milhões de euros para o concelho, número que abrange cerca de 600 infraestruturas e habitações avariadas. Este balanço local integra-se no impacto mais vasto das depressões Kristin, Leonardo e Marta em Portugal, que provocaram 15 vítimas mortais em todo o território nacional desde 28 de janeiro.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais fustigadas por uma sucessão de incidentes que incluiu a destruição de propriedades, cortes prolongados de serviços essenciais, inundações e o encerramento de vias. O Governo, face à dimensão dos estragos, prolongou o estado de calamidade até 15 de fevereiro para 68 municípios e anunciou um pacote de medidas de apoio que poderá chegar aos 2,5 mil milhões de euros. Em Castanheira de Pera, o trabalho de levantamento de danos e de normalização da vida quotidiana continua, sem data ainda para estar totalmente concluído.

NR/HN/Lusa

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