Cirurgia robótica em Portugal cresce mais de um terço em 2025

10 de Fevereiro 2026

Os hospitais portugueses realizaram mais de quatro mil intervenções com o sistema da Vinci no ano passado, um aumento superior a 33% face a 2024. O país conta agora com 19 robôs cirúrgicos, a maioria em instituições públicas

A adoção da cirurgia robótica em Portugal acelerou de forma notória no ano passado. Os dados de 2025, compilados pela Excelência Robótica – distribuidora do sistema da Vinci no país –, indicam que se realizaram mais de 4000 procedimentos com esta tecnologia em território nacional. Este valor traduz um crescimento robusto de 33% comparativamente ao ano anterior, um sinal claro da expansão deste tipo de intervenção.

Atualmente, encontram-se operacionais em Portugal 19 sistemas da Vinci. A distribuição revela um investimento substancial do setor público, que alberga cerca de 61% dos equipamentos. Os restantes 39% estão instalados em centros hospitalares privados. Este panorama sugere um esforço de modernização da rede pública, aproximando-a de padrões já observados noutros sistemas de saúde europeus.

A análise por especialidades médicas mostra que a urologia se mantém na dianteira, concentrando aproximadamente 45% do total de cirurgias robóticas realizadas em 2025. Desse conjunto, 36% corresponderam a prostatectomias. A cirurgia geral já representa mais de 34% das operações, com destaque para intervenções colorretais e bariátricas. A ginecologia ocupa cerca de 15% do volume, maioritariamente em casos de histerectomia maligna, enquanto a cirurgia torácica representa 5%. Este leque diversificado demonstra uma penetração gradual da tecnologia em várias áreas cirúrgicas.

O diretor de Marketing da Abex Excelência Robótica, Jesus Garcia Hombrados, comenta a evolução registada. “A expansão da cirurgia robótica da Vinci está também a preparar os hospitais para um futuro em que a tecnologia, os dados e a formação avançada se interligam para apoiar decisões clínicas mais informadas e cirurgias ainda mais seguras”, referiu. Hombrados sublinhou que só no último ano receberam formação específica cerca de 350 cirurgiões em Portugal e Espanha, um fator considerado crucial para a capacitação dos serviços.

Sobre o impacto social, o mesmo responsável acrescentou que “a adoção crescente nos hospitais públicos está a contribuir para um serviço nacional de saúde mais moderno, eficiente e sustentável”. A justificação passa pela redução de complicações, pela recuperação mais rápida dos doentes e por uma otimização do tempo de utilização dos blocos operatórios, o que, no seu entender, liberta recursos e aumenta a capacidade de resposta do sistema.

No contexto ibérico, o número total de cirurgias robóticas da Vinci ultrapassou as 42 mil em 2025, registando um aumento de 23,5%. O parque instalado na Península Ibérica supera as 200 unidades. Globalmente, os números espelham uma tendência de consolidação. Estão instalados mais de 12 mil sistemas da Vinci em todo o mundo, tendo sido realizadas cerca de 3,2 milhões de intervenções apenas em 2025. Desde a sua introdução, há mais de vinte anos, esta plataforma robótica foi utilizada em mais de 20,4 milhões de operações a nível planetário.

PR/HN/MM

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