Profissionais da diálise garantem tratamentos vitais em meio à fúria dos temporais

10 de Fevereiro 2026

O Governo dos Açores pretende que o futuro Hospital Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, aproveite a “capacidade instalada” da infraestrutura modular construída após o incêndio, disse hoje o líder do executivo, José Manuel Bolieiro.

Em declarações aos jornalistas após uma reunião com o Conselho de Ilha de São Miguel, o presidente do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) fez um ponto de situação sobre o “redimensionamento” do HDES, lembrando que foi criada uma comissão que analisou dois planos funcionais, cujo trabalho foi apresentado pela secretária regional da Saúde ao Conselho do Governo.

Posteriormente, referiu, o Conselho do Governo devolveu o plano à administração do HDES para “refazer” a proposta com base nas “indicações” do executivo regional.

“As recomendações claras por parte do Governo [Regional] são, em primeiro, que seria de aproveitar nesta reformulação do HDES a capacidade instalada com o modular. Em segundo lugar, não fazer intervenções fora do perímetro do atual hospital, garantindo que, não sendo um novo hospital, seja hospital novo que aproveita este perímetro”, adiantou José Manuel Bolieiro, que falava no Palácio da Conceição, sede do Governo Regional.

Em 04 de maio de 2024, o maior hospital dos Açores foi afetado por um incêndio, que obrigou à transferência de todos os doentes para outras unidades de saúde da região, da Madeira e do continente, tendo sido construído um hospital modular junto ao edifício do HDES para assegurar a resposta dos cuidados de saúde.

Bolieiro realçou que o Conselho de Governo Regional deu indicações para que “haja condições” para o tratamento de hemodiálise, reiterando o objetivo de ter um “hospital novo” para responder às “necessidades de São Miguel e dos Açores”.

“Isto foi enviado para o conselho de administração [do HDES] para, exatamente, refazer. E depois voltará ao Conselho do Governo para depois ser apreciado”, após o que se entrará em fase de projeto, explicou.

José Manuel Bolieiro salientou que a construção de um hospital modular foi um “sucesso” apesar de, na altura, ter sido uma opção de “risco”: “é hoje uma realidade que oferece garantias”.

O chefe do executivo dos Açores não quis adiantar prazos para o arranque do projeto.

“A seu tempo, e no calendário adequado, vamos informando sobre cada passo. Estamos muito atentos e vigilantes quanto à capacidade de realizar, mas realizar bem. Antes fazer bem do que fazer depressa e mal”, sublinhou.

Já sobre o financiamento para a reconstrução do HDES, José Manuel Bolieiro reconheceu a necessidade de ter uma “visão de sustentabilidade”.

“Temos a garantia, felizmente, de colaboração do Estado, designadamente no que diz respeito à reabilitação do HDES em 85%. Não vou criar através de uma mensuração, que não é possível fazer agora, qualquer adiantamento de valores, mas vamos fazê-lo com sentido de responsabilidade”, afirmou.

Já o presidente do Conselho de Ilha de São Miguel considerou que existe “muito trabalho a ser feito” na recuperação do HDES que “ainda é invisível” e afirmou que esse trabalho “vai ao encontro das pretensões dos açorianos”.

Jorge Rita sinalizou, também, a importância de reabilitar e construir novos centros de saúde na ilha para assegurar a “complementaridade” e alertou para a necessidade de não comprometer as finanças regionais com a reconstrução do HDES.

“É preciso termos aqui algumas cautelas, sabendo da importância e da qualidade e da segurança que este hospital novo ou novo hospital terá de ter para garantir a saúde dos açorianos e micaelenses”, afirmou o também líder da Federação Agrícola dos Açores.

O presidente do Conselho de Ilha destacou que esta reunião foi apenas para discutir a área da Saúde e adiantou que vão acontecer outros encontros com o Governo Regional para debater outros assuntos.

NR/HN/Lusa

 

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