11,6% dos homens em Portugal são vítimas de violência no namoro

11 de Fevereiro 2026

A Agilcare, em parceria com a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), acaba de lançar uma campanha de sensibilização intitulada “O Amor Não Magoa”, dirigida à violência no namoro. A iniciativa, que decorre durante fevereiro, pretende desmontar a ideia de que atos de agressão isolados ou envoltos em promessas de mudança não configuram ciclos de abuso. Dados da APAV indicam que 87,7% das vítimas reportadas são mulheres, com maior incidência entre os 20 e os 40 anos. A resposta da campanha passa também pela disponibilização de apoio psicológico

A campanha chega num momento em que os números da violência no namoro em Portugal continuam a preocupar as entidades que acompanham vítimas. De acordo com o relatório anual de estatísticas da APAV referente a 2024, a prevalência do fenómeno mantém-se elevada entre a população jovem e adulta, e os dados mostram que o fim da relação não significa necessariamente o fim da agressão — pelo contrário, os episódios de violência tendem a duplicar após a rutura. Embora a maioria dos casos reportados tenha vítimas do sexo feminino, a APAV regista que 11,6% dos homens em Portugal são igualmente vítimas de violência num contexto mais alargado, dado que a campanha não detalha mas que integra o diagnóstico da associação.

Elsa Sanches, diretora-geral da Agilcare, sublinhou que a marca entende ter um papel concreto na resposta a problemas sociais. “Acreditamos que as marcas têm um papel importante na construção de uma sociedade mais informada, empática e segura, sobretudo quando conseguem transformar a sensibilização em acesso efetivo a apoio especializado”, afirmou. A empresa associou-se à APAV para ir além do alerta: a campanha encaminha para consultas de acompanhamento psicológico, um recurso que a Agilcare considera central, seja qual for o tipo de violência sofrida.

Os materiais divulgados chamam a atenção para dinâmicas que, repetidas, normalizam o abuso. A dada altura, o foco recai sobre os pedidos de perdão, as promessas de mudança e os gestos materiais que, não raro, sucedem-se a episódios de agressão física, emocional ou psicológica. A ideia é que esses comportamentos, quando inseridos num padrão, não devem ser lidos como exceções românticas, mas como parte de um ciclo de violência. A APAV, que tem vindo a reforçar a recolha de dados sobre violência no namoro, regista ainda uma subida na procura de apoio por parte de vítimas do sexo masculino, embora a amostra continue a ser maioritariamente feminina.

A Agilcare, conhecida no setor dos cuidados de saúde e bem-estar, nunca tinha desenvolvido uma campanha com este foco específico. A escolha do mês de fevereiro para a estreia não é inocente: além da associação comercial ao Dia dos Namorados, a ideia é justapor a idealização do amor romântico à realidade das relações abusivas. A campanha não se dirige apenas a vítimas, mas também a amigos, familiares e colegas que possam identificar sinais de alerta. O site da marca disponibiliza, a partir de agora, informações e contactos diretos para a APAV.

PR/HN/MM

1 Comment

  1. Liliana

    Há uma diferença enorme entre:

    “11,6% dos homens em Portugal são vítimas de violência no namoro”
    e
    “11,6% das vítimas (ou dos casos reportados) são homens”

    Estas frases não significam a mesma coisa.
    Se 11,6% dos homens em Portugal são vítimas
    Isso significa que estamos a usar como base todos os homens residentes em Portugal (cerca de 5,14 milhões).
    O que sugeriria que quase 600 mil homens são vítimas.

    Isso pode induzir o leitor a assumir uma dimensão populacional que não corresponde aos dados.

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