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A campanha chega num momento em que os números da violência no namoro em Portugal continuam a preocupar as entidades que acompanham vítimas. De acordo com o relatório anual de estatísticas da APAV referente a 2024, a prevalência do fenómeno mantém-se elevada entre a população jovem e adulta, e os dados mostram que o fim da relação não significa necessariamente o fim da agressão — pelo contrário, os episódios de violência tendem a duplicar após a rutura. Embora a maioria dos casos reportados tenha vítimas do sexo feminino, a APAV regista que 11,6% dos homens em Portugal são igualmente vítimas de violência num contexto mais alargado, dado que a campanha não detalha mas que integra o diagnóstico da associação.
Elsa Sanches, diretora-geral da Agilcare, sublinhou que a marca entende ter um papel concreto na resposta a problemas sociais. “Acreditamos que as marcas têm um papel importante na construção de uma sociedade mais informada, empática e segura, sobretudo quando conseguem transformar a sensibilização em acesso efetivo a apoio especializado”, afirmou. A empresa associou-se à APAV para ir além do alerta: a campanha encaminha para consultas de acompanhamento psicológico, um recurso que a Agilcare considera central, seja qual for o tipo de violência sofrida.
Os materiais divulgados chamam a atenção para dinâmicas que, repetidas, normalizam o abuso. A dada altura, o foco recai sobre os pedidos de perdão, as promessas de mudança e os gestos materiais que, não raro, sucedem-se a episódios de agressão física, emocional ou psicológica. A ideia é que esses comportamentos, quando inseridos num padrão, não devem ser lidos como exceções românticas, mas como parte de um ciclo de violência. A APAV, que tem vindo a reforçar a recolha de dados sobre violência no namoro, regista ainda uma subida na procura de apoio por parte de vítimas do sexo masculino, embora a amostra continue a ser maioritariamente feminina.
A Agilcare, conhecida no setor dos cuidados de saúde e bem-estar, nunca tinha desenvolvido uma campanha com este foco específico. A escolha do mês de fevereiro para a estreia não é inocente: além da associação comercial ao Dia dos Namorados, a ideia é justapor a idealização do amor romântico à realidade das relações abusivas. A campanha não se dirige apenas a vítimas, mas também a amigos, familiares e colegas que possam identificar sinais de alerta. O site da marca disponibiliza, a partir de agora, informações e contactos diretos para a APAV.
PR/HN/MM



Há uma diferença enorme entre:
“11,6% dos homens em Portugal são vítimas de violência no namoro”
e
“11,6% das vítimas (ou dos casos reportados) são homens”
Estas frases não significam a mesma coisa.
Se 11,6% dos homens em Portugal são vítimas
Isso significa que estamos a usar como base todos os homens residentes em Portugal (cerca de 5,14 milhões).
O que sugeriria que quase 600 mil homens são vítimas.
Isso pode induzir o leitor a assumir uma dimensão populacional que não corresponde aos dados.