Listas de espera no SNS agravam-se em 2025, com mais de um milhão à espera de consulta

11 de Fevereiro 2026

Mais de um milhão de utentes do Serviço Nacional de Saúde aguardavam uma consulta de especialidade e cerca de 264 mil esperavam por uma cirurgia no final de 2025, números que traduzem um agravamento das listas de espera face a 2024, de acordo com dados divulgados pela Administração Central do Sistema de Saúde.

Segundo um documento interno de gestão do Serviço Nacional de Saúde, tornado público pela ACSS, a Lista de Espera para Consulta registou um aumento de 13,8% em 2025, enquanto a Lista de Inscritos para Cirurgia cresceu 3,4% em relação ao ano anterior. No final de dezembro, encontravam-se inscritos 1.088.656 utentes na Lista de Espera para Consulta e 264.615 na Lista de Inscritos para Cirurgia.

Apesar do crescimento das listas de espera, o relatório provisório indica um aumento da atividade hospitalar. Em 2025, os hospitais do SNS realizaram cerca de 14 milhões de consultas, mais 2,2% do que em 2024, e efetuaram 63.897 consultas adicionais, o que representa um acréscimo de 3,9% face ao ano anterior.

No que respeita à atividade cirúrgica, foram realizadas cerca de 884 mil cirurgias nos hospitais públicos ao longo de 2025, das quais aproximadamente 784 mil foram cirurgias programadas e mais de 99 mil urgentes. No total, a atividade cirúrgica cresceu 1,2% em comparação com 2024.

O documento destaca ainda uma redução do recurso às urgências, num ano marcado pela implementação de triagens telefónicas. Em 2025, o número de episódios de urgência diminuiu 7,1%, para um total de quase 5,6 milhões de atendimentos. A maior quebra verificou-se nas urgências obstétricas, que registaram uma redução de 16,8% face ao ano anterior.

Ao nível dos cuidados de saúde primários, a ACSS confirma que 2025 terminou com 1.563.710 utentes sem médico de família, um aumento de 2,7% em relação a 2024. O número total de pessoas inscritas nos centros de saúde ultrapassou os 10,7 milhões. Durante o ano, os centros de saúde realizaram 33,7 milhões de consultas, menos 0,8% do que no ano anterior, sendo a redução mais expressiva nas consultas médicas presenciais, que recuaram 4%.

A estimativa rápida da ACSS aponta ainda para um aumento significativo da despesa do SNS. Em 2025, os gastos operacionais ascenderam a 15.750 milhões de euros, mais 13% do que em 2024, enquanto a dívida total cresceu 10,8%, fixando-se em 1.471 milhões de euros. Os gastos com pessoal aumentaram 10,5%, ultrapassando os 7.000 milhões de euros, e a despesa com medicamentos registou igualmente um crescimento, superior a 6,7%, passando a barreira dos 2.000 milhões de euros.

No domínio da prevenção, o documento evidencia uma diminuição de 10,3% nos rastreios do cancro da mama, contrastando com um aumento de 0,7% nos rastreios do cancro do cólon e do reto e de 2,1% nos do cancro do colo do útero.

Em termos de recursos humanos, o SNS terminou 2025 com mais de 147 mil trabalhadores, um crescimento de 2,6% face ao ano anterior. Entre estes, contavam-se cerca de 30 mil médicos e 52 mil enfermeiros, categorias profissionais que aumentaram 1,3% e 2,5%, respetivamente.

Em comunicado, a ACSS sublinha que os dados divulgados constituem “apenas um instrumento de apoio à gestão e não informação final”, permitindo uma leitura atempada da evolução da atividade do SNS, bem como a identificação de tendências, desvios e boas práticas, com o objetivo de apoiar os processos de decisão.

lusa/HN/AL

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