Google e Meta contestam ligação entre redes sociais e vício juvenil em tribunal

11 de Fevereiro 2026

A Google e a Meta contestaram na terça-feira as narrativas de que as suas redes sociais viciam os jovens, no segundo dia de um julgamento histórico nos Estados Unidos sobre o impacto destas plataformas em crianças e adolescentes.

No centro do processo, que decorre no Tribunal Superior de Los Angeles, está uma jovem de 20 anos identificada apenas pelas iniciais KGM, cujo caso poderá servir de referência para milhares de ações judiciais semelhantes.

O julgamento procura apurar a responsabilidade da Meta, proprietária do Instagram, e da Google, detentora do YouTube, por alegadas características viciantes dos seus produtos e pelos danos causados a crianças que utilizam essas plataformas.

Na segunda-feira, o advogado do autor da queixa, Mark Lanier, comparou as redes sociais a casinos e drogas viciantes, afirmando que o processo será “tão fácil como o ABC”, numa referência à expressão “addicting the brains of children”. Lanier declarou que a Meta e a Google, “duas das corporações mais ricas da história”, “desenharam o vício no cérebro das crianças”.

Na terça-feira, o advogado da Meta, Paul Schmidt, afirmou que existe divergência na comunidade científica quanto à existência de vício associado às redes sociais, referindo que alguns investigadores defendem que o vício não existe ou que não é o termo mais adequado para descrever o uso intenso destas plataformas.

Ainda no segundo dia do julgamento, Luis Li, advogado do YouTube e da Google, apresentou a sua declaração inicial, centrando-se nos dados de utilização da jovem KGM. Segundo explicou aos jurados, a média de tempo de visualização da utilizadora ao longo dos últimos cinco anos foi de 29 minutos por dia.

Luis Li indicou também que o tempo médio diário gasto por KGM no YouTube Shorts, funcionalidade de vídeos curtos verticais com “rolagem infinita” contestada por Lanier, foi de apenas 1 minuto e 14 segundos. Acrescentou que todos os recursos do YouTube questionados na acusação podem ser desativados ou modificados para se adequarem às preferências dos utilizadores.

“Quando se elimina toda a retórica (…) o que resta é uma verdade simples. A rolagem infinita não é infinita”, afirmou o advogado da Google e do YouTube perante o júri.

KGM fez uma breve aparição em tribunal na segunda-feira, durante a declaração inicial de Mark Lanier, e deverá regressar mais tarde para prestar depoimento.

Outros dois arguidos no processo, a TikTok e a Snap, alcançaram acordos por valores não divulgados, segundo noticiou a Associated Press.

O julgamento decorre num contexto internacional de maior escrutínio sobre o uso das redes sociais por crianças. Na Austrália, as empresas do setor revogaram o acesso a cerca de 4,7 milhões de contas identificadas como pertencentes a menores, após a entrada em vigor de uma proibição do uso destas plataformas por crianças com menos de 16 anos.

lusa/HN/AL

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