Mondego volta a atingir nível de risco em Coimbra com caudais em subida

11 de Fevereiro 2026

O rio Mondego voltou hoje a atingir uma situação de risco no Baixo Mondego, depois de o nível hidrométrico na ponte de Santa Clara, na baixa de Coimbra, ter ultrapassado os quatro metros, repetindo o cenário verificado no passado sábado. Pelas 13:00, a estação hidrométrica de Santa Clara registava 4,08 metros, o valor mais elevado desde o início das inundações naquela zona.

De acordo com dados do portal Info Água, consultados pela agência Lusa, para além da altura de água em nível de risco (vermelho) na ponte de Santa Clara, o débito de água a jusante, na Ponte-Açude, ultrapassou ao início da tarde os 1.900 metros cúbicos por segundo e mantinha uma trajetória de subida.

A situação é agravada pelo aumento das descargas na barragem da Aguieira, que apresenta cerca de 87% de água acumulada. Nas últimas horas, a libertação de água subiu para 725 metros cúbicos por segundo, quase o dobro do registado pelas 20:00 de terça-feira, contribuindo para a pressão hidrológica no curso principal do Mondego.

Também os níveis do rio Ceira, afluente do Mondego a montante de Coimbra, continuavam a aumentar ao início da tarde de hoje, com as pontes da Conraria e do Cabouco em nível de alerta (amarelo). Na ponte do Cabouco, situada a cerca de cinco quilómetros do local onde o Ceira desagua no Mondego, a altura de água atingia 3,95 metros, com um caudal de 203 metros cúbicos por segundo.

Na ponte da Conraria, localizada a pouco mais de um quilómetro da foz do Ceira e já após a confluência com o rio Dueça, o nível hidrométrico rondava, às 13:15, pouco mais de seis metros, correspondente a um caudal aproximado de 424 metros cúbicos por segundo. O valor continua a subir ao longo do dia e é superior à anterior altura máxima registada naquele local, de 5,22 metros em 1988, embora ainda ligeiramente abaixo dos valores observados ao final da tarde de terça-feira.

Na noite de terça-feira, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente alertou para “o risco claro” de colapso das margens do Mondego no Baixo Mondego, onde o rio corre num canal artificial, advertindo para a possibilidade de uma cheia generalizada e descontrolada, face às previsões de forte precipitação.

Perante este cenário, foi desencadeada uma operação de emergência que previa a retirada de cerca de 3.500 pessoas das zonas ribeirinhas dos municípios de Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho. A região do Baixo Mondego tem, há mais de uma semana, mais de 6.000 hectares de campos agrícolas inundados no vale central e na ribeira de Foja, na margem direita, bem como junto aos afluentes Ega, Arunca e Pranto, na margem esquerda, com alturas de água que atingem, em alguns locais, cerca de 2,5 metros.

lusa/HN/AL

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