Portugal reduz mortalidade cérebro e cardiovascular para níveis da média europeia

11 de Fevereiro 2026

Portugal registou, na última década, uma redução significativa da mortalidade por doenças do aparelho circulatório, com a proporção de óbitos por estas patologias a atingir, em 2023, o valor mais baixo dos últimos 30 anos, segundo um relatório hoje divulgado.

O relatório “10 Anos das Doenças Cérebro e Cardiovasculares em Portugal (2013–2023)”, publicado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e a que a agência Lusa teve acesso, indica que, apesar de continuarem a ser a principal causa de morte em Portugal, estas doenças representaram cerca de 25% do total de óbitos em 2023, uma proporção que tem vindo a diminuir de forma sustentada e que, pela primeira vez, se aproxima da observada para os tumores malignos.

De acordo com a DGS, Portugal apresenta atualmente indicadores de mortalidade cérebro e cardiovascular iguais ou inferiores à média europeia, refletindo uma evolução positiva no controlo destas patologias ao longo da última década.

O relatório do Programa Nacional para as Doenças Cérebro e Cardiovasculares (PNDCCV) da DGS aponta para “melhorias relevantes” entre 2015 e 2024 nos cuidados de saúde primários, com destaque para o aumento da proporção de doentes com pressão arterial controlada e de pessoas com diabetes com níveis de colesterol LDL dentro dos valores recomendados.

O documento assinala igualmente um aumento marcado das consultas de cessação tabágica, o que é interpretado como um sinal de melhor controlo dos fatores de risco cardiovasculares na população.

No mesmo período, os internamentos por doenças do aparelho circulatório diminuíram 19%, uma evolução que o relatório associa a ganhos em prevenção, à melhoria da resposta assistencial e a avanços terapêuticos. Entre 2017 e 2023, registou-se uma redução superior a 10% em todas as patologias analisadas, sendo mais expressiva nos internamentos por enfarte agudo do miocárdio, com uma redução de 20,7% e uma diminuição da letalidade de 29,5%, por acidente vascular cerebral hemorrágico, com menos 20,1% de internamentos e uma redução da letalidade de 20,5%, e por acidente vascular cerebral isquémico, com menos 12,1% de internamentos e redução da letalidade.

Estas melhorias são atribuídas, em grande parte, à evolução dos cuidados pré-hospitalares e hospitalares, incluindo a consolidação das vias verdes para o tratamento do enfarte e do acidente vascular cerebral.

Entre 2017 e 2023, registaram-se 198.927 internamentos por doenças cérebro e cardiovasculares, mais de 80% dos quais relacionados com acidentes vasculares cerebrais agudos. Do total de internamentos, 50,2% envolveram homens e a mediana de idades foi de 76 anos.

A letalidade hospitalar global foi de 12,3%, mantendo-se relativamente estável ao longo do período analisado, com exceção de 2020, ano em que se verificou um pico de 13,3%, seguido de uma descida para 12,2% em 2021.

A insuficiência cardíaca é identificada como um dos principais desafios da próxima década. Apesar de uma redução de 37% nos internamentos, a mortalidade associada mantém-se elevada, refletindo o peso da doença crónica e o envelhecimento da população. Mais de 65% dos internamentos por acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca ocorrem em pessoas com mais de 70 anos.

O relatório destaca que a consolidação das Vias Verdes do AVC e da Via Verde Coronária teve um impacto direto na sobrevivência dos doentes, confirmando melhorias na resposta aguda, maior capacidade técnica e expansão das terapias disponíveis. No entanto, aponta também para a persistência de desigualdades regionais no acesso a cuidados de alta complexidade.

Além das assimetrias regionais, são identificados como desafios a elevada letalidade dos acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos, o aumento do número de adultos com cardiopatias congénitas e a necessidade de reforçar a reabilitação cardiovascular e a integração de cuidados.

O documento evidencia ainda uma transformação tecnológica significativa, com crescimento sustentado dos procedimentos minimamente invasivos e maior recurso a terapêuticas avançadas, alinhando Portugal com os padrões europeus de cuidados cardiovasculares.

lusa/HN/AL

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