Sindicato alerta para agravamento do socorro em Lisboa e aponta falhas de coordenação

11 de Fevereiro 2026

O presidente do Sindicato Nacional dos Bombeiros Sapadores (SNBS) alertou hoje para o que classificou como um “caos no socorro” na cidade de Lisboa, acusando o executivo municipal de insistir num modelo político de coordenação da Proteção Civil em detrimento de um modelo técnico, durante uma intervenção na Assembleia Municipal de Lisboa (AML).

Na reunião da AML, no período reservado à intervenção do público, Ricardo Cunha defendeu que a solução para a atual situação passa pela devolução da coordenação da Proteção Civil Municipal ao Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, recordando que esse era o modelo anteriormente em vigor e que, segundo afirmou, funcionava de forma eficaz. O dirigente sindical considerou que a atual opção política do executivo mantém a cidade num estado de desorganização no socorro, que classificou como irresponsável.

O presidente do SNBS já tinha usado a tribuna da AML em janeiro de 2024 para alertar para problemas semelhantes, tendo agora regressado com um discurso ainda mais crítico, afirmando que, desde então, a situação não só não melhorou como se agravou. Segundo Ricardo Cunha, existiu uma expectativa de estabilização do socorro e da segurança dos lisboetas após o afastamento da anterior diretora municipal de Proteção Civil, Margarida Castro Martins, mas essa esperança terá sido frustrada com a nomeação do atual coordenador municipal, André Fernandes.

Na sua perspetiva, esta escolha demonstra que o executivo municipal continua a ignorar os alertas técnicos do sindicato e dos profissionais que operam no terreno. O sindicalista voltou a defender que a coordenação da Proteção Civil Municipal deve estar sob responsabilidade direta do Regimento de Sapadores Bombeiros, sublinhando que a insistência num modelo político compromete a eficácia da resposta em situações de emergência.

Ricardo Cunha avisou ainda que o SNBS acompanhará de forma atenta a atuação do novo coordenador municipal de Proteção Civil e garantiu que regressará à AML sempre que considerar necessário para denunciar irregularidades, caso o que descreveu como “caos” se mantenha. Dirigindo-se diretamente aos deputados municipais, apelou ao exercício do papel fiscalizador sobre o executivo, alertando que a ausência de intervenção poderá traduzir-se em corresponsabilização política por eventuais tragédias resultantes de falhas de coordenação.

Durante a intervenção, o presidente do sindicato referiu a existência de situações que classificou como ainda mais graves, que não detalhou, mas que afirmou serem do conhecimento do SNBS e que, segundo disse, já terão contribuído para a perda de vidas. Considerou também que Lisboa merecia uma gestão mais responsável e criticou o facto de, na sua opinião, não terem sido retiradas lições das tragédias que já afetaram a cidade e que continuam a afetar o país.

O dirigente sindical criticou ainda o funcionamento democrático no município, considerando lamentável não poder intervir nas sessões de câmara. Segundo afirmou, a exigência de identificação prévia do tema a abordar funciona como um filtro que impede que questões incómodas cheguem ao executivo municipal. Na parte final da sua intervenção, manifestou convicção de que poderá voltar em breve à Assembleia Municipal, atendendo ao que considera ser a atual gestão da Proteção Civil em Lisboa.

No atual mandato autárquico (2025-2029), a Câmara Municipal de Lisboa é presidida por Carlos Moedas, reeleito pelo PSD, governando sem maioria absoluta. O executivo municipal é composto por 17 vereadores, dos quais oito pertencem à coligação PSD/CDS-PP/IL, os únicos com pelouros atribuídos, e nove são da oposição, incluindo quatro do PS, dois do Chega, um do Livre, um do Bloco de Esquerda e um do PCP.

lusa/HN/AL

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