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Há exames que não se fazem por medo. E medo, neste caso, tem nome: encerramento. A experiência de deslizar para dentro de um tubo estreito, imóvel, sob ruídos ensurdecedores, é para muitos insuportável. A Affidea, grupo privado de diagnóstico que em Portugal tem Miguel Santos à frente da operação , decidiu atacar o problema pelo espaço físico. Os dois novos magnetos, agora em funcionamento, suprimem a sensação de confinamento. A mesa é mais larga. As laterais, abertas. O doente vê a sala, vê o técnico. A técnica, aliás.
“A Affidea está comprometida em oferecer serviços de saúde de elevada qualidade às comunidades que servimos. Com estes investimentos, pretendemos melhorar a experiência do paciente e o acesso aos cuidados de saúde, garantindo que todos os pacientes beneficiam destas melhorias”, afirma Theodoros Kravvas, CEO da Affidea Ibéria, que acumula a gestão em Espanha e superintende a unidade portuguesa . Kravvas tem repetido, internamente, que o conforto do utente deixou de ser um extra. É condição de base.
A unidade do Parque das Nações e a de Castelo Branco não foram escolhidas ao acaso. Em Lisboa, a proximidade com uma vasta zona residencial e de escritórios gera procura diversificada. Em Castelo Branco, a Affidea é frequentemente a retaguarda do Serviço Nacional de Saúde para exames que os hospitais públicos não conseguem agendar em tempo útil. A tecnologia aberta, ao reduzir o número de exames interrompidos ou recusados, liberta vagas. O efeito prático, dizem na empresa, é a quebra das listas de espera convencionadas com o SNS. Mais do que um ganho comercial, é operacional.
Ao longo dos anos, o grupo tem procurado afirmar uma identidade clínica que alie inovação a uma certa ideia de humanização — um conceito por vezes desgastado, mas que aqui se materializa em centímetros a mais de largura. Não é indiferente. Pessoas com obesidade, idosos com próteses rígidas, doentes oncológicos fragilizados: todos enfrentam dificuldades acrescidas na imagiologia convencional. Para crianças, o exame aberto pode significar a diferença entre o choro e a curiosidade.
Há semanas, a Affidea Portugal foi distinguida com o selo “Marca Recomendada” pelos consumidores, numa avaliação que abrangeu mais de dezoito mil marcas . Kravvas, na ocasião, atribuiu o reconhecimento à “confiança dos pacientes” e ao “compromisso diário das equipas”. O prémio não mencionava ressonâncias abertas — foi anunciado antes — mas sublinhava a perceção de um cuidado centrado nas pessoas . O investimento agora revelado dá corpo a essa perceção.
Em Castelo Branco, a chegada do equipamento gerou alguma curiosidade entre técnicos e radiologistas. Não é todos os dias que se desencaixota um íman de grande campo sem as paredes à volta. Em Lisboa, a equipa teve de reconfigurar a sala para acolher a nova unidade. Pequenas revoluções logísticas que, vistas de fora, podem parecer menores. Para quem aguarda um diagnóstico, não são.
O aparelho não é, em termos absolutos, uma novidade internacional. A tecnologia de ressonância aberta existe há anos, mas a aposta em duas localizações simultâneas, num mercado pequeno como o português, assinala uma mudança de estratégia. A Affidea opera em mais de uma dezena de países e, em Portugal, tem vindo a consolidar uma rede que serve também o Estado . O objetivo, agora, é que nenhum utente fique de fora por falta de espaço. Ou por excesso de medo.
PR/HN/MM



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