Oishi e Himangana no seminário da Católica sobre emoções e tecnologia

12 de Fevereiro 2026

O psicólogo Shigehiro Oishi, especialista em cultura e felicidade, e a investigadora Himangana Gupta, das Nações Unidas, marcam presença na 3.ª edição do seminário “Emoções, Saúde e Bem-Estar”, organizado por estudantes de doutoramento da Faculdade de Ciências Humanas. O encontro, de inscrição gratuita, decorre a 13 de fevereiro, em Lisboa, e cruza psicologia, inteligência artificial e neurodiversidade

Palavras-chave: emoções, bem-estar, neurodiversidade, inteligência artificial, Shigehiro Oishi, Himangana Gupta, Universidade Católica, seminário, Lisboa

Sob o tecto da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, os alunos do Doutoramento em Psicologia: Emoções e Bem-Estar preparam-se para receber, a 13 de fevereiro, dois nomes de peso que raramente partilham cartaz. Shigehiro Oishi, que muitos conhecem do ensaio sobre a riqueza psicológica das nações, chega de Chicago — e não da Virgínia, como por vezes ainda se lê em biografias desatualizadas. Apesar de o documento de apresentação o situar noutra instituição, Oishi é atualmente professor na Universidade de Chicago, onde há muito investiga o preço da desigualdade e o peso silencioso da comunidade na felicidade coletiva. Do outro lado do oceano, mas com assento em Tóquio, Himangana Gupta desloca-se do United Nations University Institute for the Advanced Study of Sustainability. O percurso dela cruza florestas, relatórios de biodiversidade e uma passagem pelo Ministério do Ambiente indiano; hoje é uma das autoras principais do chamado Nexus Assessment Report da IPBES, e no seminário trará perspetivas indígenas de bem-estar que raramente entram nas salas da psicologia mainstream.

O programa abre às 9h30 e estende-se até ao fim da tarde. Os três eixos anunciados — emoção e bem-estar, inteligência artificial e ligações humanas, neurodiversidade e resiliência — funcionam menos como gavetas estanques e mais como camadas que se sobrepõem. A certa altura, Oishi deverá falar da sua investigação mais recente, que liga arte, desporto e identidade; há quem diga que tem uma certa inclinação para pensar o florescimento humano fora dos questionários de autorresposta. Gupta, por seu turno, não se limita à diplomacia climática: o trabalho dela em paisagens socioecológicas e a forma como as comunidades locais definem bem-estar escapam ao economicismo das métricas convencionais.

Os estudantes organizadores insistem no formato peer-to-peer, o que significa que as sessões de posters e os workshops têm tanto peso como as palestras. Não há barreiras nítidas entre quem investiga e quem assiste; a promessa é de um diálogo menos hierarquizado, mesmo quando os convidados trazem currículos extensos — Oishi soma mais de duzentos artigos, Gupta sete livros editados e uma Medalha de Ouro na manga. Ainda assim, o tom não será solene. A entrada é livre, o auditório principal da FCH fica em São Domingos de Benfica, e quem chegar atrasado perde a conversa sobre como a tecnologia pode, afinal, não ser a inimiga do afeto.

A Faculdade de Ciências Humanas, com as suas cinco áreas científicas e uma oferta que vai da Filosofia ao Serviço Social, raramente organiza eventos de pequena escala. Desta vez, porém, a escala é deliberadamente contida: o seminário cabe num dia, não há sessões paralelas em salas distantes, e a ideia de transformação social aparece tanto nos resumos dos doutorandos como na intervenção de Gupta sobre o conhecimento das comunidades indígenas. Oishi, que no ano passado publicou em Portugal A Vida a Três Dimensões, costuma dizer que uma boa vida não se mede apenas pela felicidade ou pelo sentido — falta-lhe a estranheza do novo, a perspetiva menos óbvia. Talvez seja por isso que o programa inclui, lado a lado, a regulação emocional em contextos de adversidade e os algoritmos que moldam as relações humanas.

Mais informações e inscrições estão disponíveis no sítio da faculdade, em fch.lisboa.ucp.pt. O dia é 13 de fevereiro, uma sexta-feira, e Lisboa costuma estar cinzenta a essa altura do ano. Dentro do auditório, a conversa promete outra cor.

PR/HN/MM

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