Projeto de Paços de Ferreira que vigia toma de medicamentos por vídeo é finalista dos Top Health Awards

12 de Fevereiro 2026

O TOV – Vision4Health, da Unidade Local de Saúde Tâmega e Sousa, está entre os finalistas dos Top Health Awards 2026 na categoria Tecnologia e Dados ao Serviço da Saúde. A solução permite, por videochamada, a toma observada da terapêutica na tuberculose. Desde julho de 2023, contabilizam‑se cerca de 4.000 teleconsultas. A enfermeira Susana Regadas apresenta o projeto a 26 de fevereiro, em Lisboa. Os vencedores são conhecidos a 25 de março.

A equipa do Centro de Diagnóstico Pneumológico / Consulta Respiratória da Comunidade de Paços de Ferreira, integrada na ULS Tâmega e Sousa, viu reconhecido a nível nacional o trabalho que há ano e meio desenvolve no terreno. O projeto TOV – Vision4Health, que assenta na supervisão da toma da medicação antituberculose através de videochamada, é finalista dos Top Health Awards 2026, prémio que distingue boas‑práticas no setor da saúde. A distinção ocorre na categoria Tecnologia e Dados ao Serviço da Saúde.

A enfermeira Susana Regadas, que assina a proposta e fará a apresentação pública no próximo dia 26 de fevereiro, em Lisboa, explica que a ferramenta não se limita a substituir o olhar presencial por um ecrã. A equipa teve de desenhar um circuito que garantisse rastreabilidade, confidencialidade e, sobretudo, que não excluísse doentes com literacia digital reduzida ou sem acesso a equipamentos. Na prática, o utente recebe a medicação e, à hora combinada, liga‑se ao profissional de saúde. A observação é registada e, se houver falha de comunicação, accionam‑se mecanismos de contacto alternativo. O CDP/CRC de Paços de Ferreira tem lidado com uma incidência de tuberculose que, por razões demográficas e sociais, exige respostas diferenciadas; a videochamada permitiu reduzir a necessidade de deslocações diárias — que, nalguns casos, implicavam várias horas e custos significativos.

Até ao momento, contabilizam‑se cerca de quatro mil teleconsultas deste género. O número, sublinham os responsáveis, não é apenas uma estatística: cada contacto representa um dia de tratamento cumprido, uma menor probabilidade de abandono e uma redução do risco de contágio na comunidade. A abordagem alinha‑se com as metas globais da Organização Mundial da Saúde para eliminar a tuberculose, mas também responde a uma pressão muito concreta do território. A ULS Tâmega e Sousa cobre uma região onde a mobilidade é nem sempre fácil e onde o estigma associado à doença ainda afasta pessoas dos serviços. Poder fazer o controlo a partir de casa, sem a exposição pública que uma ida diária ao centro de saúde acarreta, tem ajudado a desmistificar o tratamento.

A dimensão humanizada do projeto é, aliás, o que mais entusiasma a equipa. A tecnologia serve de ponte, não de barreira. Os doentes que antes resistiam a comparecer por receio de serem identificados agora aderem com outra naturalidade. Houve quem, durante as chamadas, mostrasse a família ou o cão; outros, mais isolados, acabaram por desenvolver uma rotina de conversa breve com o profissional do outro lado do ecrã. Não está protocolado, mas acontece. É esse desvio afetivo, difícil de mensurar, que a enfermeira Susana Regadas espera conseguir transmitir na apresentação em Lisboa.

Ainda que focado na tuberculose, o TOV – Vision4Health está desenhado de forma modular. Os seus pressupostos — observação à distância, validação em tempo real, registo automático — podem ser transportados para outras patologias, sobretudo crónicas, que exijam rigor na toma da medicação. A equipa defende que, mais do que uma aplicação específica, o projeto demonstra como os Cuidados de Saúde Baseados em Valor podem materializar‑se em ganhos de acesso, eficiência e equidade.

Independentemente do resultado da votação, que será anunciado a 25 de março, a nomeação representa o reconhecimento, por pares, de uma obstinação silenciosa. Durante meses, os profissionais do CDP/CRC foram ajustando horários, convencendo cépticos, resolvendo falhas de rede e ensinando utentes a usar as câmaras dos telemóveis. O prémio, a vir, servirá para amplificar a ideia de que a inovação no Serviço Nacional de Saúde não precisa de chegar com estrondo: pode virar‑se para o utente e perguntar — prefere que eu vá aí ou falamos por vídeo?

PR/HN/MM

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