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O encontro entre o governante e o representante da OMS teve como pano de fundo o incremento diário de notificações da doença, que sobrecarrega unidades de saúde e recoloca o país num cenário endémico de difícil controlo. A OMS partilhou com o Vice-Primeiro-Ministro dados actualizados sobre o trabalho técnico desenvolvido em parceria com o Ministério da Saúde, mormente no que toca ao manejo de doentes com sintomas moderados e à implementação de protocolos destinados a travar óbitos evitáveis.
Em dezembro, recordou a organização, realizaram-se acções de formação dirigidas a profissionais de saúde destacados nas regiões mais afectadas, com realce para Ermera e Díli. Foram sessões práticas, focadas na identificação precoce de sinais de alarme e no correcto encaminhamento dos casos. Apesar dos esforços, o Dr. Arvind Mathur não escondeu a preocupação com a continuidade dos ciclos de transmissão e sublinhou, durante a conversa, que o combate ao mosquito não pode estar confinado às equipas médicas ou às campanhas sazonais.
“A prevenção não incumbe apenas ao Ministério da Saúde. Toda a população deve apropriar-se desta luta”, afirmou Mathur, insistindo na limpeza regular dos domicílios e dos espaços colectivos como medida basilar para impedir a proliferação do Aedes aegypti. O responsável da OMS salientou que a experiência acumulada noutros países demonstra a ineficácia de intervenções isoladas quando não há adesão comunitária nem coordenação governamental alargada.
Nessa linha, a organização recomendou ao Vice-Primeiro-Ministro que mobilize os restantes ministérios em função das suas atribuições específicas. A ideia é que pastas como a Educação, a Administração Estatal ou as Obras Públicas incorporem a mensagem de prevenção nas suas rotinas e campanhas, transformando a resposta à dengue numa política de Estado e não num esforço episódico da tutela da saúde. A abordagem intersetorial, segundo Mathur, permite chegar a grupos que de outro modo permaneceriam fora do alcance das mensagens institucionais.
O Eng.º Mariano Assanami Sabino mostrou-se receptivo às sugestões e garantiu que o seu gabinete coordenará, nas próximas semanas, reuniões sectoriais para traduzir as recomendações em acções concretas. Adiantou ainda que a experiência das equipas móveis que actuaram nos municípios mais críticos poderá servir de modelo para uma estratégia nacional mais robusta. Sem adiantar calendários, o governante reconheceu que a dengue exige respostas céleres, mas também consistentes ao longo do tempo, sob pena de se perderem os ganhos entretanto alcançados.
Os dados mais recentes indicam que a incidência da doença continua a crescer, impulsionada pelo acumular de resíduos urbanos e pela estação chuvosa que ainda não deu tréguas. Em Díli, os bairros mais densamente povoados permanecem na mira das brigadas sanitárias, mas a escala do problema supera a capacidade instalada de resposta. A OMS disponibilizou-se para apoiar tecnicamente a revisão do plano nacional de prevenção, designadamente no aperfeiçoamento dos sistemas de vigilância epidemiológica e na produção de materiais educativos adaptados à realidade linguística e cultural timorense.
NR/HN/Lusa



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