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Há anos que os osteopatas em Portugal, pelo menos os que não se acomodaram à prática corrente, aguardavam por uma oferta formal de segundo ciclo. Vai chegar em setembro, pela mão da ESSATLA. O anúncio, feito esta semana, confirma que a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior deu luz verde a um programa desenhado — segundo a escola — para ir além da técnica e mergulhar na investigação aplicada.
Jorge Esteves, professor doutor da casa e coordenador do novo mestrado, não disfarça o peso que isto tem. Diz que “a acreditação do Mestrado em Osteopatia da ESSATLA pela A3ES representa um marco importante no desenvolvimento da osteopatia em Portugal”. E acrescenta, sublinhando as palavras: o lançamento constituiu um passo decisivo na afirmação da profissão. Depois, faz a ponte com as políticas de saúde: o plano do curso está alinhado com o Plano Nacional de Saúde 2021-2030, lembrando o papel da osteopatia no tratamento sustentável de doenças osteomusculares e da dor crónica. O homem parece confiante.
A estrutura do curso assenta em metodologias ativas, coisa que a escola já vinha a ensaiar na licenciatura e na pós-graduação em Osteopatia Infantil. O modelo foge da aula expositiva clássica. Haverá discussão e resolução de casos clínicos reais, aprendizagem colaborativa e um corpo docente, garantem, integralmente doutorado. Três semestres, portanto. O suficiente para, quem já é osteopata, regressar aos bancos da escola e especializar-se em dor crónica, pediatria, envelhecimento, desporto ou artes performativas. A instituição insiste que a componente de investigação é para levar a sério: os estudantes serão preparados para analisar, produzir e apresentar informação científica. Não se trata apenas de aprender a colocar as mãos, mas de perceber o que a evidência diz sobre onde e porquê colocá-las.
A ESSATLA, instalada na Fábrica da Pólvora de Barcarena, desde 2001 que forma profissionais de saúde em regime politécnico. Com esta adição, completa agora um percurso formativo que já incluía a licenciatura em Osteopatia e uma pós-graduação específica para crianças. Fecha-se, assim, um ciclo. De resto, a escola tem feito movimentos discretos mas constantes no sentido da internacionalização — há, por exemplo, acordos Erasmus com instituições francesas para intercâmbios de curta duração — e da investigação, com projetos como o CaregIVR, que utiliza realidade virtual imersiva para apoiar cuidadores de doentes cardiovasculares.
Agora, resta saber quem serão os primeiros candidatos. O mestrado destina-se a osteopatas licenciados, recém-formados ou já com consultório montado. A escola não adianta números de vagas, mas informa que mais detalhes estarão disponíveis em www.essatla.pt. Em 2025, a instituição recebeu a Marca Entidade Empregadora Inclusiva pelo IEFP. É, digamos, um selo que diz muito sobre a atmosfera interna, ainda que pouco sobre a osteopatia em si. Mas fica registado.
PR/HN/MM



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