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A organização do evento estrutura o programa em torno daquilo que Inês Palma Reis, internista e coordenadora do Núcleo de Estudos de Medicina Obstétrica da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, identifica como os dez temas mais prementes da atualidade. A escolha não é aleatória: procura responder ao que designa como “novas recomendações” e ao peso que certas patologias representam na mortalidade materna. Os dados do Instituto Nacional de Estatística, atualizados em junho de 2025, apontam para uma taxa de 10,5 mortes por 100 mil nados-vivos em Portugal, um número que os especialistas acompanham com atenção redobrada .
A parte da manhã concentra-se na área cardiovascular, na morbilidade e na saúde mental – esta última, nota a médica, uma dimensão tantas vezes subestimada no acompanhamento pré-natal. Durante a tarde, os trabalhos viram-se para a autoimunidade, a fertilidade e as perdas gestacionais. O encerramento reserva espaço à discussão de casos clínicos complexos e a uma reflexão prospetiva sobre o rumo da especialidade. Está prevista a apresentação de posters e a entrega do Prémio Dr.ª Augusta Borges.
Inês Palma Reis sublinha, a propósito da atualidade, que o desenvolvimento da medicina obstétrica não tem parado de colocar novas questões à prática clínica. E acrescenta, sem rodeios, que o recente aumento da mortalidade materna, associado a problemas de acessibilidade aos cuidados, torna o encontro deste ano especialmente pertinente. A médica defende que a multidisciplinaridade é a única forma de responder à complexidade das grávidas com patologia associada. Na reunião de Lisboa estarão internistas, obstetras, psiquiatras, endocrinologistas e intensivistas, entre outros. “Esta partilha”, acredita, “vai multiplicar o conhecimento e aumentar a segurança das grávidas.”
Um dos momentos mais aguardados das jornadas é o curso prático dedicado à segurança dos fármacos durante a gravidez e a amamentação. A coordenadora do NEMO reconhece que a incerteza em torno da farmacoterapia continua a ser um dos maiores desafios na relação com as doentes. O objetivo, diz, é transmitir fundamentos e ferramentas que permitam aos profissionais ganhar confiança na prescrição.
A edição comemorativa dos dez anos do Núcleo pretende deixar nos participantes algo que vá além da atualização científica. Inês Palma Reis espera que quem passar pelo encontro leve “a certeza de que não está só nas angústias das zonas cinzentas da ciência”. E que esse apoio se traduza, no final da linha, em mais segurança e tranquilidade para as mulheres grávidas.
As inscrições estão a decorrer através da plataforma da SPMI.
Inscrições em: https://www.spmi.pt/5as-jornadas-do-nucleo-de-estudos-de-medicina-obstetrica/
PR/HN/MM



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