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A falta de um professor no Hospital Pediátrico de Coimbra deixou dezenas de crianças internadas sem qualquer acompanhamento escolar. A Unidade Local de Saúde de Coimbra confirmou à Lusa que, pela primeira vez em anos, não há qualquer docente alocado ao estabelecimento. Uma das professoras está de baixa prolongada; a outra viu a Mobilidade Estatutária — renovada anualmente — ser recusada pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, sob a justificação de “inexistência de contingente”.
A dirigente-geral da Acreditar, Margarida Cruz, não esconde a perplexidade. “Até determinada altura todos os hospitais tinham professores garantidos. Agora, alguns deixaram de ter. É difícil entender que num hospital pediátrico geral, com oncologia, não haja pelo menos um professor de primeiro ciclo”, afirmou, em declarações à agência.
A associação tomou conhecimento da situação depois de o ministério ter determinado o regresso às escolas de 169 docentes em mobilidade noutros serviços. A Acreditar contactou a tutela, alertando que os hospitais têm escolas e que retirar professores desses serviços não é comparável a retirá-los de funções burocráticas. O alerta, porém, não evitou o desfecho em Coimbra.
Margarida Cruz lembra que os internamentos oncológicos são longos e que uma criança em idade escolar não pode ficar privada do ensino durante meses. “É manifestamente um recuo”, repete, sublinhando que o apoio letivo nos hospitais era já um patamar dado como adquirido.
A ULS de Coimbra, em resposta escrita, afirmou que continua a “envidar esforços” para resolver o problema, mas até ao momento não há solução. A Acreditar, que se ofereceu para colaborar, diz não ter obtido qualquer resposta da unidade de saúde.
Nas vésperas do Dia Internacional da Criança com Cancro, assinalado a 15 de fevereiro, a dirigente acrescentou outras preocupações. “O apoio psicológico não está de todo garantido. Damos apoio a muitas famílias, fazemo-lo com gosto, mas é um direito que devia estar assegurado”, frisou. E deixou ainda um reparo sobre o valor das despesas de funeral: atualmente, o reembolso para crianças é de cerca de 255 euros, contra os 1560 euros para adultos contribuintes. “Não é uma questão de impacto financeiro, é de dignidade num momento devastador.”
A Acreditar prepara a tradução e divulgação dos Padrões Europeus de Cuidados para português, defendendo que sirvam de referência às políticas públicas. O Ministério da Educação, contactado pela Lusa, ainda não respondeu.
NR/HN/Lusa



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