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O alarme surge numa altura em que a passagem fronteiriça, a única que não controla a ligação com Israel, voltou a funcionar de forma limitada na sequência do entendimento que permitiu a trégua em outubro. O acordo, que levou à libertação dos reféns israelitas e de um número restrito de prisioneiros palestinianos, prevê ainda a transferência do governo do território para um grupo de tecnocratas, que deverá articular-se com o Conselho de Paz liderado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump. No terreno, porém, a realidade dos números desmente a intenção política.
Shurouq, gestor de multimédia da Save the Children em Gaza, descreveu um cenário de desespero e aleatoriedade. “Milhares de pessoas em Gaza estão a enfrentar uma lenta sentença de morte”, afirmou, em declarações citadas pela organização. O responsável denunciou o incumprimento diário por parte das autoridades israelitas, sublinhando que o compromisso assumido na passada segunda-feira “está a falhar catastroficamente” na resposta às necessidades médicas básicas de milhares de crianças. “Uma criança já morreu tragicamente, uma morte evitável. Este horror não terminará se as autoridades continuarem a este ritmo”, acrescentou.
Os dados do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, indicam que 1.268 doentes morreram nos últimos dois anos enquanto aguardavam permissão para viajar. A este ritmo de evacuação, seriam precisos mais de quatro anos e meio para retirar as 20.000 pessoas que necessitam de cuidados urgentes. A passagem de Rafah é considerada um ponto crucial para a entrada de mantimentos, mas a população palestiniana continua a enfrentar duras restrições à entrega de ajuda humanitária, numa altura em que a ofensiva israelita deixou o sistema de saúde do enclave à beira do colapso . “A passagem fronteiriça de Rafah deve ser aberta de forma urgente, sem restrições. As pessoas não podem esperar mais um dia”, concluiu Shurouq.
NR/HN/Lusa



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