ONG: Retirada de doentes de Gaza pelo posto de Rafah levaria mais de quatro anos ao ritmo atual

13 de Fevereiro 2026

A organização Save the Children denunciou esta sexta-feira que, ao ritmo atual, seriam necessários quatro anos e meio para evacuar todos os doentes de Gaza que necessitam de tratamento no estrangeiro, alertando para a morte de uma criança de sete anos à espera de autorização. A passagem de Rafah, reaberta ao abrigo de um acordo mediado pelos EUA, tem permitido a saída de uma média de doze pacientes por dia, muito aquém dos cinquenta prometidos. A ONG sublinha que perto de 20.000 pessoas, entre as quais 4.000 crianças, aguardam por cuidados médicos indisponíveis no enclave

O alarme surge numa altura em que a passagem fronteiriça, a única que não controla a ligação com Israel, voltou a funcionar de forma limitada na sequência do entendimento que permitiu a trégua em outubro. O acordo, que levou à libertação dos reféns israelitas e de um número restrito de prisioneiros palestinianos, prevê ainda a transferência do governo do território para um grupo de tecnocratas, que deverá articular-se com o Conselho de Paz liderado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump. No terreno, porém, a realidade dos números desmente a intenção política.

Shurouq, gestor de multimédia da Save the Children em Gaza, descreveu um cenário de desespero e aleatoriedade. “Milhares de pessoas em Gaza estão a enfrentar uma lenta sentença de morte”, afirmou, em declarações citadas pela organização. O responsável denunciou o incumprimento diário por parte das autoridades israelitas, sublinhando que o compromisso assumido na passada segunda-feira “está a falhar catastroficamente” na resposta às necessidades médicas básicas de milhares de crianças. “Uma criança já morreu tragicamente, uma morte evitável. Este horror não terminará se as autoridades continuarem a este ritmo”, acrescentou.

Os dados do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, indicam que 1.268 doentes morreram nos últimos dois anos enquanto aguardavam permissão para viajar. A este ritmo de evacuação, seriam precisos mais de quatro anos e meio para retirar as 20.000 pessoas que necessitam de cuidados urgentes. A passagem de Rafah é considerada um ponto crucial para a entrada de mantimentos, mas a população palestiniana continua a enfrentar duras restrições à entrega de ajuda humanitária, numa altura em que a ofensiva israelita deixou o sistema de saúde do enclave à beira do colapso . “A passagem fronteiriça de Rafah deve ser aberta de forma urgente, sem restrições. As pessoas não podem esperar mais um dia”, concluiu Shurouq.

NR/HN/Lusa

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