![]()
A cerimónia decorreu na quinta-feira, na sede do FIDA, em Roma, e o anúncio foi formalizado através de uma nota do Ministério da Economia e Finanças são-tomense, a que a Lusa teve acesso. O montante total, 15 milhões de euros, será canalizado ao longo de sete anos, com uma primeira tranche de 4.661.000 euros disponível de imediato para arranque das atividades. A pasta da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas ficará com a responsabilidade de supervisionar a execução do plano, que incorpora medidas de adaptação às alterações climáticas.
Segundo o comunicado oficial, a iniciativa desenhada pelo FIDA e pelo executivo pretende “impulsionar uma transformação inclusiva e sustentável das áreas rurais”. A ideia é criar oportunidades de crescimento económico que passem pela transição para sistemas alimentares “mais resilientes e nutritivos”, capazes de respeitar a biodiversidade local. Na prática, o projeto mexe em várias frentes: desde o acesso à terra e à água até ao fortalecimento das organizações de produtores, com uma atenção especial à integração de jovens e mulheres nas atividades agrícolas e conexas. Nos corredores do ministério, há quem diga que a aposta na formação e no associativismo é a única maneira de fixar as camadas mais novas no campo, evitando a debandada para a periferia da capital.
A meta é ambiciosa: alcançar 5.500 agregados familiares, o que representa cerca de 22 mil pessoas. O objetivo declarado é que estas famílias “tenham acesso a sistemas alimentares sustentáveis, empregos e condições de vida dignas e duradouras”, beneficiando de um quadro que estimule o aparecimento de oportunidades económicas. O governo sublinha que o aumento da produção deverá reflectir-se numa maior oferta de produtos frescos e nutritivos nos mercados locais, contribuindo para a segurança nutricional. Esse esforço será complementado com acções de educação alimentar e, garantem as autoridades, apoiado por um quadro político e regulatório favorável. Há uma certa expectativa em relação ao impacto que o projecto poderá ter nas roças e nas comunidades piscatórias, onde a malnutrição ainda faz das suas.
A assinatura do acordo surge poucos dias depois da aprovação do Orçamento do Estado para o ano em curso, fixado em cerca de 233 milhões de euros. O valor fica abaixo dos 265 milhões orçamentados para 2025, um sinal claro do aperto financeiro que o país atravessa. Neste contexto, qualquer injecção de fundos externos é vista como um balão de oxigénio, sobretudo numa área sensível como a produção de alimentos. São Tomé importa grande parte do que consome, e a factura com a comida tem pesado cada vez mais nas contas das famílias e do Estado. Resta saber se, desta vez, o dinheiro chega a quem precisa e se as promessas de transformação saem do papel antes que a fome bata à porta de mais gente.
NR/HN/Lusa



0 Comments