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Foi durante a segunda sessão do conselho dos serviços provinciais de representação do Estado que Graciano Francisco, porta-voz, trouxe os números. Trinta casas, disse, ficaram destruídas. Não foi um fenómeno contido num único ponto. Mussoril, no posto administrativo de Matibane, concentra a maior fatia das vandalizações. Mas Nacala também figura no mapa da violência. Foi lá que sete pessoas acabaram detidas. “É de lamentar alguma desinformação que está sendo passada nesses distritos e que resulta em vandalizações das casas dos nossos líderes comunitários”, afirmou.
As equipas sanitárias, na semana passada, já tinham reconhecido publicamente o peso dos boatos. No terreno, agentes de sensibilização são recebidos a pedra. Perseguições, apedrejamentos, desconfiança. Uma barreira, admitiram as autoridades locais a 08 de fevereiro. Ninguém, no comunicado de hoje, detalhou o conteúdo concreto dos rumores.
O último boletim da Direção Nacional de Saúde Pública, a que a Lusa acedeu, contabiliza 4.843 casos desde 03 de setembro. Sessenta e três mortos. Nampula lidera o número de infetados: 2.051, e 24 óbitos. Tete, 1.847 casos e 28 mortos. Cabo Delgado surge a seguir, com 807 infetados e oito vítimas mortais. Na Zambézia, 79 casos e um morto. Manica, 59 casos e dois óbitos.
Os dados referentes apenas a 09 de fevereiro indicam mais 117 infetados e um óbito, este em Nacala-Porto. A taxa de letalidade, a nível nacional, fixa-se em 1,3 por cento.
O atual ciclo de transmissão, comparado ao anterior — que decorreu entre outubro de 2024 e julho de 2025, com 4.420 casos e 64 mortos —, já ultrapassou o número de doentes em metade do tempo. Nampula, também então, foi a província mais atingida: 3.590 infetados.
Na terça-feira, o executivo anunciara a vacinação de 1.790.410 pessoas em cinco dias. A meta inicial, de 1,7 milhões, foi superada em 102 por cento. Inocêncio Impissa, porta-voz do Conselho de Ministros, detalhou que a campanha abrangeu Cabo Delgado, Niassa, Sofala e Zambézia.
O mesmo Impissa, em setembro, apresentara o plano governamental para erradicar a cólera do panorama sanitário moçambicano até 2030. Trinta e um mil milhões de meticais, qualquer coisa como 418,5 milhões de euros, é o custo estimado. A meta: “Um Moçambique livre da cólera como um problema de saúde pública”, onde as comunidades disponham de “acesso à água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas”. As palavras são dele, proferidas a 16 de setembro.
NR/HN/Lusa



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