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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, descartou, em entrevista à cadeia NBC, que o país pretenda avançar com a desnacionalização do setor dos hidrocarbonetos, procurando clarificar o alcance da nova lei que reabre a exploração petrolífera ao investimento privado. Questionada sobre se o fracasso das estatizações executadas ao longo de vinte anos de chavismo estaria na origem da inflexão legislativa, Rodríguez negou qualquer recuo. O petróleo e o carvão, sublinhou, permanecem propriedade inalienável do Estado venezuelano. O que está em curso, disse, é a introdução de modelos de gestão distintos, desenhados para permitir ao país gerir com eficácia a produção e a comercialização do crude. Reformou-se a lei, explicou, para que os dividendos do investimento tenham maior rendimento.
A ambição, declarou, é transformar a condição de país com as maiores reservas do mundo na de grande produtor, equiparável aos Estados Unidos — que extraem cerca de 30 milhões de barris diários — ou à Arábia Saudita. A aproximação a Washington, que atravessou um ponto de não retorno com a captura e saída forçada de Maduro no início de janeiro, tem produzido efeitos tangíveis. Os EUA transferem agora para Caracas receitas da comercialização do petróleo venezuelano, montantes que Rodríguez garantiu serem canalizados para a reconstrução nacional. Dois fundos soberanos foram criados com o propósito expresso de assegurar que os recursos se convertam em proteção social e infraestruturas básicas.
A propósito das acusações do Presidente norte-americano, Donald Trump, segundo o qual os governos chavistas se apropriaram de ativos de petrolíferas dos EUA durante as nacionalizações, a chefe de Estado interina afirmou existir muita desinformação. O Executivo, acrescentou, está a revisitar contratos e a tentar apurar o sentido exato dos fluxos financeiros: quem deve a quem, quanto deve a PDVSA, quanto lhe é devido. A entrevista, a primeira que concede a um órgão dos Estados Unidos, decorreu enquanto o secretário de Energia, Chris Wright, se encontrava em Caracas para aprofundar a cooperação bilateral no domínio energético. Washington, que desde a queda de Maduro assumiu funções de supervisão do Executivo venezuelano, garanta estabilidade, mas o terreno mostra-se mais lamacento do que a retórica faz crer. A lei reformada prevê menor carga fiscal, sedução evidente para investidores externos, e Rodríguez assegura que o destino das receitas norte-americanas será escrutinado. Resta saber se a engenharia institucional que agora se desenha resistirá ao historial de promessas não cumpridas.
NR/HN/Lusa



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