CAP alerta para risco de dermatose nodular e pede plano de prevenção

14 de Fevereiro 2026

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) defendeu hoje, em Beja, a criação de um plano nacional de prevenção para doenças pecuárias, nomeadamente a dermatose nodular bovina, ainda ausente do território mas que já provocou estragos em França. Álvaro Mendonça e Moura revelou que a 19 de Fevereiro está marcada uma reunião com a Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV) e organizações de produtores para avaliar riscos e delinear estratégias

O dirigente falava à agência Lusa à margem do Conselho Consultivo da CAP, que juntou no auditório do NERBE associações agrícolas do Baixo Alentejo. A reunião de trabalho, que se prolongou pela manhã, serviu para auscultar os criadores sobre os problemas que enfrentam no terreno. E, entre os muitos assuntos, a sanidade animal acabou por assumir um lugar de destaque. “Há algumas doenças, como a nodular bovina, que ainda não chegou, mas que teve um impacto enorme em França. Tememos que, mais cedo ou mais tarde, possa chegar”, admitiu, visivelmente preocupado com a progressão da enfermidade na Europa.

O dirigente sublinhou que o multiplicar de surtos nos efetivos pecuários, também noutras espécies, está relacionado com “as alterações climáticas”. Um cenário que, defende, exige uma resposta organizada e antecipada. “Temos que pensar efetivamente como é que queremos organizar-nos”, afirmou, acrescentando que o objetivo da reunião já agendada para dia 19 é fazer “um ponto de situação sobre o que se está a passar com estas doenças e os riscos que se anteveem”. Para a CAP, é fundamental ouvir as Organizações de Produtores para a Sanidade Animal (OPSA) e, em conjunto, encontrar as melhores soluções. Um plano de prevenção, defende, deve ser estruturado sem demoras.

A conversa com os jornalistas acabou por abordar outras questões que aquecem os ânimos no Baixo Alentejo. A necessidade de acelerar a construção dos blocos de rega de Ficalho e Amareleja foi uma das bandeiras levantadas. “Estes dois blocos têm de avançar e têm de avançar rapidamente”, reivindicou Mendonça e Moura, lembrando que a água é um fator crítico para a fixação de população e para a viabilidade das explorações. O tema das limitações impostas pela Rede Natura, o acordo Mercosul — que os agricultores temem que traga concorrência desleal — e os desafios da nova proposta da Política Agrícola Comum (PAC) também marcaram presença nas discussões do conselho consultivo.

O formato de conselhos consultivos que a CAP tem levado a cabo um pouco por todo o país visa precisamente identificar estas prioridades regionais e nacionais, com base no que as organizações filiadas vão detectando no quotidiano. Esta ronda de auscultações tem permitido à confederação levar para a frente um retrato mais fino das necessidades do setor.

Já durante a tarde, e no mesmo local, o auditório do NERBE acolhe uma sessão de esclarecimento dirigida diretamente aos agricultores. A iniciativa é promovida pela CAP, em parceria com a Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (FAABA) e a ACOS — Associação de Agricultores do Sul, e pretende debater, de forma mais prática, os temas que preocupam quem trabalha a terra e cuida do gado na região.

NR/HN/Lusa

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