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O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) assistiu, entre Janeiro e Outubro de 2025, um total de 2.459.509 pessoas vítimas de choques climáticos e em situação de insegurança alimentar, segundo o relatório anual de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). Do universo de assistidos, perto de 1,89 milhões receberam apoio alimentar, enquanto mais de 568 mil foram abrangidos por medidas no sector agrícola, incluindo a distribuição de meios de produção e acções de formação.
Os dados foram apresentados na VII Sessão Ordinária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSAN), que decorreu hoje na capital moçambicana. O documento sublinha que o INGD tem concentrado esforços no desenvolvimento de actividades para garantir a segurança alimentar nas zonas áridas e semi-áridas, com o objectivo de atenuar os impactos do fenómeno El Niño. No âmbito dessa estratégia, foram distribuídas, no ano passado, doze toneladas de sementes de variedades tolerantes à seca e material vegetativo, beneficiando 4.068 pessoas, além de acções de capacitação comunitária.
Moçambique continua a ser um dos países mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas. Entre Dezembro de 2024 e Março de 2025, a época chuvosa foi marcada pela passagem de três ciclones, com destaque para o Chido, que atingiu o país no final de 2024. Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que, entre 2019 e 2023, os eventos extremos causaram pelo menos 1.016 mortos e afectaram cerca de 4,9 milhões de pessoas. O Instituto de Meteorologia de Moçambique alertou, num relatório divulgado em Março do ano passado, para o aumento da frequência e intensidade dos ciclones na última década.
A reunião do CONSAN serviu igualmente para anunciar avanços na criação de um sistema nacional de informação de segurança alimentar. A plataforma deverá permitir a recolha e tratamento de dados mais rigorosos, envolvendo os principais actores do sector. Paralelamente, o Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (Setsan) planeia realizar, até ao final do primeiro semestre deste ano, um encontro com comunicadores para definir estratégias que promovam o aproveitamento dos alimentos produzidos localmente e combatam a desnutrição crónica.
A secretária executiva do Setsan, Judite Mussácula, revelou que as províncias de Nampula, Cabo Delgado, Zambézia e Manica continuam a registar os índices mais elevados de insegurança alimentar no país. Adiantou ainda que está prevista para Agosto a primeira conferência nacional sobre segurança alimentar e nutricional, um espaço que deverá juntar especialistas e decisores para debater respostas duradouras para o problema.
NR/HN/Lusa



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