Moçambique assistiu mais de 2,4 milhões de vítimas de choques climáticos em 2025

14 de Fevereiro 2026

As autoridades moçambicanas prestaram apoio a mais de 2,4 milhões de pessoas afectadas por secas, cheias e insegurança alimentar ao longo de 2025, revelou um relatório governamental apresentado. O balanço, que abrange o período até Outubro, surge numa altura em que o país se prepara para reforçar os sistemas de alerta e melhorar a qualidade da informação sobre nutrição

O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) assistiu, entre Janeiro e Outubro de 2025, um total de 2.459.509 pessoas vítimas de choques climáticos e em situação de insegurança alimentar, segundo o relatório anual de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). Do universo de assistidos, perto de 1,89 milhões receberam apoio alimentar, enquanto mais de 568 mil foram abrangidos por medidas no sector agrícola, incluindo a distribuição de meios de produção e acções de formação.

Os dados foram apresentados na VII Sessão Ordinária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSAN), que decorreu hoje na capital moçambicana. O documento sublinha que o INGD tem concentrado esforços no desenvolvimento de actividades para garantir a segurança alimentar nas zonas áridas e semi-áridas, com o objectivo de atenuar os impactos do fenómeno El Niño. No âmbito dessa estratégia, foram distribuídas, no ano passado, doze toneladas de sementes de variedades tolerantes à seca e material vegetativo, beneficiando 4.068 pessoas, além de acções de capacitação comunitária.

Moçambique continua a ser um dos países mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas. Entre Dezembro de 2024 e Março de 2025, a época chuvosa foi marcada pela passagem de três ciclones, com destaque para o Chido, que atingiu o país no final de 2024. Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que, entre 2019 e 2023, os eventos extremos causaram pelo menos 1.016 mortos e afectaram cerca de 4,9 milhões de pessoas. O Instituto de Meteorologia de Moçambique alertou, num relatório divulgado em Março do ano passado, para o aumento da frequência e intensidade dos ciclones na última década.

A reunião do CONSAN serviu igualmente para anunciar avanços na criação de um sistema nacional de informação de segurança alimentar. A plataforma deverá permitir a recolha e tratamento de dados mais rigorosos, envolvendo os principais actores do sector. Paralelamente, o Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (Setsan) planeia realizar, até ao final do primeiro semestre deste ano, um encontro com comunicadores para definir estratégias que promovam o aproveitamento dos alimentos produzidos localmente e combatam a desnutrição crónica.

A secretária executiva do Setsan, Judite Mussácula, revelou que as províncias de Nampula, Cabo Delgado, Zambézia e Manica continuam a registar os índices mais elevados de insegurança alimentar no país. Adiantou ainda que está prevista para Agosto a primeira conferência nacional sobre segurança alimentar e nutricional, um espaço que deverá juntar especialistas e decisores para debater respostas duradouras para o problema.

NR/HN/Lusa

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Estudo revela que 7 em cada 10 mulheres com enxaqueca hormonal não recebem tratamento personalizado

Um estudo da European Migraine and Headache Alliance (EMHA), realizado em colaboração com a MiGRA Portugal, revelou que 70% das mulheres que sofrem de enxaqueca hormonal não recebem um tratamento adaptado ao seu padrão de sintomas. A investigação envolveu 5.410 participantes de 13 países europeus, incluindo 464 respostas de Portugal, e foi apresentada recentemente no Parlamento Europeu.

Bastonário acusa Direção Executiva do SNS de limitar consultas e cirurgias em 2026

A Ordem dos Médicos manifestou preocupação com a orientação da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para travar, em 2026, o aumento de consultas e cirurgias nos hospitais e limitar o reforço de recursos humanos e financeiros, considerando que a medida poderá agravar a pressão já existente sobre o sistema e ter impacto negativo na resposta aos doentes.

Ordem dos Médicos lamenta morte de Joaquim Fidalgo Freitas

O antigo diretor do departamento de psiquiatria de Viseu e fundador da Associação Portuguesa para as Perturbações dos Desenvolvimento e Autismo (APPDA) de Viseu, Joaquim Fidalgo Freitas, morreu na segunda-feira aos 78 anos.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights