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A equipa do grupo de investigação “BestAging-Psychosocial Intervention in Aging and Care Throughout the Lifespan” , da Universidade de Valência (UV), em colaboração com a Universidade Europeia de Valência, recorreu à análise de perfis latentes para chegar a estes resultados. Esta metodologia permite identificar padrões psicológicos globais, em vez de se fixar em variáveis isoladas, como a presença ou ausência de depressão.
Foram definidos quatro grupos: um de alto risco, um caracterizado por uma elevada perceção de sobrecarga, outro com pontos fortes pessoais enfraquecidos e um último de funcionamento ótimo ou saudável. Para além do perfil de risco mais evidente, os investigadores chamam a atenção para dois perfis intermédios que, à primeira vista, podem passar despercebidos. Há idosos que, mesmo sem manifestarem muitos sintomas emocionais, carregam um sentimento intenso de serem um fardo para os outros. Outros, apesar de não apresentarem sintomas clínicos significativos, revelam recursos de proteção muito frágeis, como um sentido de propósito esbatido ou baixa resiliência.
Alicia Sales, docente e investigadora do Departamento de Psicologia do Desenvolvimento e da Educação da UV, realçou a importância destas descobertas. “O estudo identifica quatro perfis distintos e dá especial atenção a dois perfis intermédios que podem ser negligenciados se a avaliação se centrar apenas na presença de sintomas clínicos”, afirmou, citada em comunicado da universidade. Estes dois perfis intermédios apresentavam níveis de ideação suicida que se mantinham significativos mesmo depois de os investigadores ajustarem os dados para variáveis como a idade, o sexo ou a perceção do estado de saúde. Isto sugere que as estratégias de prevenção precisam de ser mais refinadas e dirigidas a estas características psicológicas específicas.
Curiosamente, o perfil de funcionamento ideal, que representa cerca de metade da amostra, vem contrariar a ideia feita de que a institucionalização equivale a um declínio generalizado. Este grupo demonstrou possuir níveis elevados de recursos psicológicos e de bem-estar, o que indica que é possível envelhecer com qualidade mesmo em contexto de lar. A investigação baseou-se em entrevistas que avaliaram tanto fatores de risco, como a depressão, a desconsolação e a sobrecarga percebida, como fatores de proteção, nomeadamente a resiliência, a autoeficácia e o sentido de propósito.
NR/HN/Lusa



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