Diacereína reemerge como potencial modificador da artrite reumatoide

15 de Fevereiro 2026

Uma revisão de estudos clínicos e pré-clínicos publicada na Acta Materia Medica reacende o interesse na diacereína, um derivado antraquinónico, para o tratamento da artrite reumatoide. O fármaco, conhecido pelas propriedades anti-inflamatórias e condroprotetoras, atua pela supressão da interleucina-1β, mediador central da inflamação sinovial e da degradação da cartilagem, diferenciando-se dos anti-inflamatórios não esteroides convencionais

A diacereína volta a estar no radar da comunidade científica como possível agente modificador da artrite reumatoide (AR), conforme detalha uma revisão publicada esta semana no periódico Acta Materia Medica. O trabalho, conduzido por Subarnarekha Maitra, Sreemoy Kanti Das e Dibya Sinha, explora os mecanismos moleculares do fármaco e o seu potencial em estratégias combinadas com terapêuticas já estabelecidas.

Ao contrário dos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), cuja ação passa sobretudo pela inibição das enzimas ciclo-oxigenases, a diacereína interfere numa via distinta. O composto suprime a interleucina-1β, uma citocina pró-inflamatória que desempenha um papel central na sinovite e na destruição da cartilagem. Adicionalmente, modula a ação do fator de necrose tumoral alfa e das metaloproteinases da matriz, contribuindo para o alívio da dor, a redução da inflamação e a preservação da arquitetura articular. Os autores sublinham que este perfil de ação confere ao fármaco um efeito sintomático e possivelmente modificador da estrutura articular.

Os dados compilados indicam que a diacereína reduz eficazmente o edema e a rigidez matinal, com um perfil de segurança gastrointestinal superior ao dos AINEs. Contudo, a monoterapia revela limitações: o início de ação é lento e a eficácia moderada, o que restringe a sua utilização isolada. É na combinação com fármacos modificadores da doença (DMARDs) ou agentes biológicos que a diacereína parece ganhar relevância, potenciando os benefícios terapêuticos e permitindo, em alguns cenários, uma abordagem poupadora de corticoides ou anti-inflamatórios.

Paralelamente, a revisão destaca avanços nas formulações farmacêuticas. Novos sistemas de libertação, incluindo formulações de libertação prolongada e nanopartículas, têm vindo a ser testados para melhorar a biodisponibilidade e a eficácia do fármaco. Estas estratégias visam contornar a farmacocinética desafiadora da molécula e potenciar a adesão terapêutica.

Os investigadores defendem que, embora a diacereína não deva ser considerada uma alternativa de primeira linha em monoterapia, o seu lugar como adjuvante no arsenal terapêutico da artrite reumatoide é promissor. Estudos adicionais são apontados como necessários para otimizar regimes posológicos e sistemas de administração, com vista a traduzir os achados pré-clínicos em benefícios clínicos consistentes. A comunidade científica aguarda agora ensaios que possam esclarecer o subgrupo de doentes que mais poderá beneficiar desta abordagem.

Referência: Maitra S, Das SK, Sinha D, et al. From osteoarthritis to rheumatoid arthritis: re-exploring the molecular pathways and therapeutic potential of diacerein. Acta Materia Medica. 2026;5(1):55-69. DOI: 10.15212/AMM-2025-0076 (https://www.scienceopen.com/hosted-document?doi=10.15212/AMM-2025-0076)

NR/HN/AlphaGalileo

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