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O estudo, publicado a 13 de janeiro de 2026, envolveu investigadores do Hospital General Universitario Gregorio Marañón, da Universidade Autónoma de Barcelona, do Hospital Clínic de Barcelona-Universidade de Barcelona, do IDIBAPS, do Karlsruhe Institute of Technology e do Centro de Investigación Biomédica en Red – Enfermedades Cardiovasculares (CIBERCV). A abordagem, batizada de Volumetric Non-invasive Cardiac Mapping, assenta num algoritmo que resolve matematicamente o problema inverso da electrocardiografia, permitindo reconstruir a ativação elétrica no interior do miocárdio, incluindo paredes e septo. Ao contrário dos sistemas convencionais, que inferem comportamentos com base em dados de superfície, a nova técnica oferece uma imagem tridimensional do coração em apenas um batimento.
Andreu Climent, diretor executivo da Corify Care e investigador da UPV, sublinhou a mudança de paradigma: «Trata-se de visibilidade e confiança. Damos aos médicos o mapa completo desde o início, não fragmentos. Uma visão global significa decisões mais rápidas, ablações mais dirigidas e o potencial para reduzir o tempo e a complexidade do procedimento». A tecnologia, evolução do sistema ACORYS® – que já tinha aprovação CE e está em revisão pela FDA –, identifica circuitos de arritmia frequentemente omitidos por ferramentas clássicas, sobretudo os localizados em profundidade ou que envolvem várias câmaras.
Nos testes realizados, a abordagem volumétrica reduziu em 59,3% o erro geodésico na localização de batimentos prematuros simulados, comparativamente aos métodos que se limitam à superfície. Foram também analisados quatro doentes com arritmias complexas: extrassistolia ventricular da via de saída do ventrículo direito, bloqueio de ramo esquerdo, taquicardia ventricular e síndrome de Wolff-Parkinson-White. Os padrões de ativação obtidos coincidiram com os diagnósticos clínicos, validando a precisão da técnica.
Felipe Atienza, diretor de Cardiologia do Hospital Gregorio Marañón e diretor médico da Corify Care, destacou as implicações práticas: «Pela primeira vez, podemos ver o coração de forma não invasiva tal como ele realmente se comporta: holisticamente. Isto tem implicações significativas no fluxo de trabalho, nos resultados clínicos e na escalabilidade nos laboratórios de eletrofisiologia». A tecnologia elimina pontos cegos, permitindo abordar casos complexos com maior eficiência e previsibilidade.
Jorge Vicente-Puig, primeiro autor do artigo, explicou que o trabalho demonstra ser indispensável uma aproximação volumétrica para a verdadeira caraterização das arritmias: «Superámos as limitações matemáticas do passado para entregar uma imagem fisiológica tridimensional completa». O algoritmo, integrado no sistema ACORYS®, já está a ser comercializado na Europa e aguarda autorização para o mercado norte-americano. A Corify Care está também a desenvolver integrações com plataformas de navegação de cateteres e novas linhas de investigação em análise volumétrica, que serão apresentadas no AF Symposium 2026, em Boston.
A equipa acredita que, no futuro, esta abordagem poderá apoiar o planeamento pré-procedimental, guiar alvos de ablação com maior rigor e refinar a seleção de doentes para terapêutica de ressincronização cardíaca.
Referência
Vicente-Puig, J., Chamorro-Servent, J., Zacur, E. et al. Volumetric non-invasive cardiac mapping for accessible global arrhythmia characterisation. Commun Med (2026). https://doi.org/10.1038/s43856-025-01332-5
NR/HN/AlphaGalileo



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