Guiné-Bissau proíbe venda de combustível em contentores após tragédia com 163 queimados

16 de Fevereiro 2026

O Governo de transição da Guiné-Bissau determinou hoje o encerramento imediato de todos os pontos de venda de combustível em contentores, na sequência de um incêndio em Bafatá que causou 163 vítimas, elevando para um morto o número de óbitos associados ao acidente

O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Ilídio Vieira Té durante uma deslocação ao Hospital Nacional Simão Mendes, na capital, onde 19 dos feridos no sinistro de sábado foram internados depois de transferidos desde o leste do país. Acompanhado por membros do executivo, o chefe do Governo confirmou que uma das pessoas evacuadas não resistiu aos ferimentos, elevando para um o número de mortos até ao momento — uma das 163 vítimas iniciais.

Vieira Té foi perentório nas instruções transmitidas ao ministro da Administração Territorial e Poder Local, Carlos Nelson Sano, presente na visita, e ao titular da pasta do Interior, general Mamasaliu Embaló, a quem incumbiu de fazer cumprir a ordem. “Anunciamos hoje que vamos encerrar todos os contentores, dentro da cidade e nas regiões. Serão encerrados e removidos”, afirmou, citado por órgãos de comunicação social locais que acompanharam a deslocação.

A prática, generalizada no país, consistia na armazenagem e venda de gasóleo e gasolina em recipientes adaptados, frequentemente instalados em zonas habitacionais ou de grande circulação, sem condições de segurança. O acidente em Bafatá ocorreu quando um desses contentores explodiu, deflagrando de imediato. O primeiro-ministro assegurou que o caso não ficará sem resposta: “Haverá responsabilização”, garantiu, embora sem adiantar pormenores sobre eventuais procedimentos judiciais ou administrativos.

No terreno, as equipas médicas continuam a prestar assistência a 28 feridos que permanecem no hospital regional de Bafatá, onde a capacidade de resposta enfrenta constrangimentos. O ministro Carlos Nelson Sano, que se deslocou ao local no domingo juntamente com o ministro do Interior, descreveu uma cena caótica agravada pela reação dos populares. “Por desconhecimento, tentaram apagar o fogo com água e areia. Isso fez aumentar as chamas”, relatou, referindo-se à forma como a tentativa de auxílio pode ter contribuído para propagar o incêndio, dada a natureza do material em combustão.

O primeiro-ministro anunciou ainda que na terça-feira se deslocará a Bafatá para visitar os sinistrados internados, num gesto que pretende sublinhar a atenção do executivo à tragédia. A decisão de proibir os contentores de combustível surge num contexto de fragilidade institucional e de escassos mecanismos de fiscalização prévia, expondo as dificuldades estruturais do país em matéria de prevenção de riscos. A medida, embora drástica, levanta interrogações sobre a sua exequibilidade num território onde a venda informal de combustível se tornou, há anos, uma alternativa à ausência de postos de abastecimento convencionais em muitas localidades.

NR/HN/Lusa

Nota da redação: A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto de 2025 após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância

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