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Em audição na Comissão dos Assuntos Sociais do parlamento açoriano, a responsável, que ocupa o cargo desde 2022 e viu agora o seu nome proposto para novo mandato, fez questão de salientar que o problema não é exclusivo da unidade que dirige no Faial. “É um problema transversal de custos, apesar do reforço do investimento”, afirmou, referindo-se à dotação prevista no orçamento regional para 2025. Mas a verdade é que o dinheiro, mesmo acrescido, parece não chegar a todo o lado. Maria Cândido falou num “reforço”, mas deixou no ar a ideia de que, face à escalada de preços, “não será suficiente”.
O discurso foi o de quem está na gestão há três anos e conhece os cantos à casa. Garantiu que o orçamento, com todas as suas limitações, não põe em causa o funcionamento corrente — o “dia a dia”, como lhe chamou. Mas a corda estica noutros sítios. As “dificuldades para pagar as diárias” dos doentes que têm de se deslocar ao continente são uma realidade, ainda que, segundo fez questão de precisar, não existam “dívidas acima de 90 dias”. O número ronda os 1.500 doentes nesta situação, um fluxo que representa um encaixe financeiro sempre apertado.
Maria Cândido não escondeu as dores de crescimento. O quadro clínico, admitiu, “é curto”, e a solução tem passado pela deslocação de médicos para assegurar serviços. Uma estratégia de recurso que, a par das obras no edifício — um projeto de nove milhões de euros que deverá ficar concluído em maio —, tem pressionado as listas de espera. Os números oficiais, de novembro, indicam que o Hospital da Horta tinha 1.429 utentes em espera, mais 8,3% do que no mesmo mês de 2024. A responsável justificou o agravamento dos tempos médios com os “constrangimentos” da intervenção física nas instalações, mas também com a saída de médicos que passaram à reforma ou se encontram de baixa.
O edifício tem 40 anos e 103 camas, servindo um universo de 42 mil utentes das ilhas do Faial, Pico e São Jorge. “É o mais periférico de todos os hospitais” dos Açores, lembrou, e isso traz problemas específicos. Cativar e fixar pessoas não é fácil. Por isso, a estratégia passa por custear formações e apostar em equipamentos novos, numa tentativa de tornar a unidade mais atractiva. A ideia é compensar a insularidade com oportunidades. À comissão, Maria Cândido garantiu que se vai “alertando a tutela” para a necessidade de um orçamento que responda às “reais necessidades”. O reforço de 2025, garantiu, já permitiu “ultrapassar muitas das dificuldades com as dívidas”, mas o aperto mantém-se.
NR/HN/Lusa



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