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O contributo surge num momento em que o país enfrenta pressões crescentes em duas frentes: os deslocados devido à insurgência no norte e as comunidades atingidas pela atual época chuvosa, que já provocou 215 mortos e afetou mais de 856 mil pessoas desde outubro. De acordo com o comunicado da representação diplomática, a verba destina-se a “reforçar a assistência às populações afetadas, garantindo um apoio imediato às comunidades mais vulneráveis”.
A decisão de direcionar parte dos fundos para Nampula prende-se com os últimos desenvolvimentos do conflito. Embora a província vizinha de Cabo Delgado concentre historicamente a violência perpetrada por grupos extremistas – com o primeiro ataque registado em outubro de 2017, em Mocímboa da Praia –, os incidentes têm alastrado para sul. Nos últimos meses, Nampula passou a acolher milhares de deslocados que fogem dos distritos mais afetados, mas também registou já ataques diretamente no seu território, o que agravou as necessidades humanitárias.
O valor, especifica a nota, será gerido pelo PAM e permitirá adquirir bens essenciais e distribuir ajuda alimentar, num contexto em que muitas famílias perderam colheitas e abrigos. Os últimos dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), atualizados às 09:18 de hoje, apontam para 198.053 famílias diretamente afetadas pelas cheias, além de 314 feridos e 12 desaparecidos.
A embaixada italiana sublinha que a iniciativa pretende também “reforçar a resiliência das comunidades mais expostas pelo terrorismo e pelos efeitos das alterações climáticas”. A combinação dos dois fenómenos tem sobrecarregado as estruturas de resposta no terreno, com o governo e as agências internacionais a alertarem repetidamente para a escassez de meios face à dimensão da crise.
Os 34 milhões de meticais agora anunciados juntam-se a outros apoios anteriormente disponibilizados por Roma a Moçambique, num momento em que a comunidade internacional renova atenções sobre o corredor norte do país. Apesar dos esforços das forças moçambicanas e dos contingentes destacados por países africanos e europeus nos últimos anos, a insurgência mantém capacidade de destabilização, sobretudo em zonas rurais e de floresta densa.
NR/HN/Lusa



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