SSRI na gravidez aumenta risco de diabetes mas pode proteger de parto prematuro

16 de Fevereiro 2026

Um amplo estudo populacional concluiu que o uso de inibidores seletivos da recaptação da serotonina (SSRI) durante a gravidez está associado a um risco aumentado de diabetes gestacional e problemas de adaptação precoce nos recém-nascidos. Em contrapartida, a toma da medicação parece reduzir os riscos de parto prematuro e de baixo peso à nascença, mesmo considerando a depressão materna

Uma investigação internacional, liderada pela Universidade de Turku, na Finlândia, em colaboração com a Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, trouxe novos dados sobre os efeitos dos antidepressivos durante a gestação. O trabalho, que abrangeu mais de 1,27 milhões de crianças nascidas na Finlândia entre 1996 e 2018, comparou grávidas que tomaram SSRI com mulheres que, tendo diagnóstico de depressão, não recorreram à medicação, e ainda com aquelas que suspenderam o tratamento antes de engravidar.

Os resultados indicam que, nas mulheres medicadas, a probabilidade de desenvolver diabetes gestacional é superior. Paralelamente, os recém-nascidos expostos aos fármacos apresentaram maior incidência de pontuação baixa no índice de Apgar (ao primeiro e quinto minutos), dificuldades respiratórias e necessidade de cuidados especiais ou internamento em unidades de neonatologia. Não foi, no entanto, detetado um risco acrescido de malformações congénitas major.

Heli Malm, professora e principal autora do estudo, sublinha que os efeitos observados nos bebés ocorrem independentemente da depressão materna. “Os nossos resultados reforçam a importância de decisões de tratamento individualizadas durante a gravidez”, afirmou. “O tratamento da depressão é fundamental e o uso de SSRI parece proteger contra o risco de parto prematuro associado à doença. Simultaneamente, é essencial monitorizar de perto tanto o evoluir da gravidez como a saúde do recém-nascido.”

A equipa recorreu a várias estratégias de comparação, incluindo a análise entre irmãos, o que permitiu controlar fatores genéticos e ambientais. O objetivo central era perceber se os riscos pré-natais anteriormente reportados estariam ligados aos fármacos ou à própria depressão e à sua gravidade. Os ajustamentos estatísticos tiveram em conta diversos indicadores da severidade da doença. Malm acrescenta que a associação com a diabetes gestacional merece ser aprofundada: “É preciso mais investigação para compreendermos melhor a possível relação de causa-efeito e os mecanismos biológicos subjacentes.”

O centro onde a investigação foi coordenada integra o INVEST Research Flagship Centre, do Conselho de Investigação da Finlândia, dedicado ao estudo das desigualdades, intervenções e estado social.

Referência bibliográfica:
Universidade de Turku. “SSRI medication during pregnancy is associated with increased risk of gestational diabetes but may protect against preterm birth.” 13 de fevereiro de 2026. Disponível em: https://www.utu.fi/en/news/press-release/ssri-medication-during-pregnancy-is-associated-with-increased-risk-of

NR/HN/AlphaGalileo

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