Tempestades: Campanha nacional recolhe donativos para vítimas de cheias e inundações

16 de Fevereiro 2026

A Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares e a associação Entreajuda ativaram uma rede solidária para recolher fundos e bens essenciais destinados às populações flageladas pelas recentes tempestades. A distribuição da ajuda arranca na próxima semana, priorizando os concelhos que estiveram em situação de calamidade, numa operação articulada com autarquias e instituições locais

Foi acionada esta semana uma operação de emergência para socorrer as milhares de pessoas que, um pouco por todo o país, viram as suas vidas viradas do avesso com a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta. A Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome, em conjunto com a associação Entreajuda, lançaram uma campanha de recolha de donativos que já mobilizou um conjunto alargado de empresas e cidadãos anónimos, num esforço para mitigar os estragos que, um mês depois, ainda são bem visíveis em dezenas de localidades.

A ideia, segundo explicou Isabel Jonet, que preside a ambas as instituições, é replicar o modelo testado durante a pandemia: criar uma estrutura de distribuição ágil, que funcione em proximidade. “A ajuda não pode parar junto das pessoas mais vulneráveis que ficaram com as suas casas destruídas, muitas ainda privadas de luz, sem comunicações e por vezes até sem água potável”, afirmou a responsável, citada num comunicado conjunto. Jonet sublinhou ainda que a prioridade, para já, são os idosos e as famílias que perderam tudo, mas também há a preocupação de apoiar as respostas sociais locais, que viram a procura disparar .

Na prática, os donativos em dinheiro estão a ser canalizados para a aquisição de bens muito concretos: não só alimentos, mas também produtos de limpeza, de higiene pessoal e, numa fase seguinte, materiais de construção que permitam às pessoas começar a tapar buracos e a tornar as casas habitáveis. A logística está a ser afinada com as autarquias dos 68 concelhos que estiveram em estado de calamidade até 15 de fevereiro – uma medida que entretanto caducou, mas cujas marcas no terreno persistem. Haverá também espaço para voluntários com competências técnicas específicas darem uma ajuda, caso seja necessário .

A lista de mecenas e parceiros privados é extensa, incluindo o BPI/Fundação “la Caixa”, a Fundação GALP, a Leroy Merlin, a Missão Continente, a Procter&Gamble e a Metronic, entre outras. Muitas já terão começado a mobilizar colaboradores e a preparar ações de sensibilização junto dos clientes nas lojas . Paralelamente, foi criada uma plataforma online (www.rededeemergencia.pt) onde particulares ou instituições podem sinalizar necessidades específicas, que serão depois validadas e encaminhadas para os pontos de apoio mais próximos, como IPSS ou juntas de freguesia .

Os distritos do Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram os que mais sofreram com a fúria dos elementos, mas há estragos um pouco por todo o lado: casas e equipamentos que ficaram totalmente destruídos ou com danos de vulto, estradas que tiveram de ser cortadas, escolas que encerraram, para não falar das dezenas de milhar de pessoas que, nos piores dias, acordaram sem eletricidade, sem água e sem comunicações. A chuva intensa e o vento forte provocaram ainda cheias e inundações em zonas baixas e a queda de árvores e estruturas um pouco por todo o território.

Quem quiser contribuir, pode fazê-lo por transferência bancária para o IBAN PT50.0010.0000.55191220001.59 ou através de MB Way, para o número 916 313 732

NR/HN/Lusa

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