Angola estreia técnica inovadora para doenças cerebrais e poupa milhões

17 de Fevereiro 2026

Angola iniciou esta semana, no Complexo Hospitalar General de Exército Pedro Maria Tonha "Pedale", em Luanda, procedimentos inéditos na rede pública para tratar doenças vasculares cerebrais com métodos minimamente invasivos, contando com especialistas brasileiros e evitando despesas de evacuações que chegavam a ultrapassar 200 mil dólares por doente

A equipa médica, chefiada pelo neurorradiologista brasileiro Carlos Freitas, presidente honorário da Associação Brasileira de Neurorradiologia, deu início a um conjunto de 12 intervenções em pacientes com idades compreendidas entre os dez e os 60 anos. Estão a ser tratados casos de aneurismas cerebrais, malformações arteriovenosas e fístulas arteriovenosas, patologias que até agora obrigavam a evacuações sanitárias para o estrangeiro, com custos avultados para os cofres do Estado.

O Ministério da Saúde angolano divulgou esta terça-feira um comunicado onde sublinha o impacto financeiro da medida. “Até ao momento, o Estado angolano suportava custos médios superiores a 200 mil dólares norte-americanos (mais de 170 mil euros) por paciente, incluindo evacuação sanitária, transporte, internamento e subsídios, o que para 12 casos representava aproximadamente 2,4 milhões de dólares (pouco menos de dois milhões de euros)”, lê-se no documento.

Para além da poupança imediata, a iniciativa assenta numa lógica de transferência de conhecimento e autonomização progressiva dos serviços locais. Os procedimentos estão a ser realizados em parceria com especialistas angolanos, no âmbito do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde, financiado pelo Banco Mundial e coordenado pela Unidade de Implementação do projeto (PFRHS-UIP). O programa prevê um internato estruturado em neurorradiologia de intervenção, acompanhamento por telemedicina e formação prática contínua com o corpo docente vindo do Brasil.

A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, citada no comunicado, enquadrou a iniciativa num esforço mais amplo de capacitação nacional. “Este projeto representa um passo decisivo para a independência técnica do sistema de saúde angolano, garantindo que milhares de pacientes tenham acesso local a tratamentos que salvam vidas e reduzindo significativamente os encargos do Estado com evacuações e internamentos no exterior”, afirmou.

No terreno, a equipa tem recorrido a técnicas de abordagem endovascular, descritas como minimamente invasivas, que reduzem os riscos cirúrgicos, encurtam o tempo de internamento e permitem uma recuperação mais rápida. O objectivo, de acordo com a nota do ministério, é transformar o Complexo Hospitalar General de Exército Pedro Maria Tonha “Pedale” num centro de referência nacional e até regional para o tratamento de doenças cerebrovasculares, contribuindo para a redução de mortes e incapacidades evitáveis. A aposta na qualificação dos quadros nacionais surge como pilar central para a sustentabilidade do projecto a longo prazo.

NR/HN/Lusa

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights