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A equipa médica, chefiada pelo neurorradiologista brasileiro Carlos Freitas, presidente honorário da Associação Brasileira de Neurorradiologia, deu início a um conjunto de 12 intervenções em pacientes com idades compreendidas entre os dez e os 60 anos. Estão a ser tratados casos de aneurismas cerebrais, malformações arteriovenosas e fístulas arteriovenosas, patologias que até agora obrigavam a evacuações sanitárias para o estrangeiro, com custos avultados para os cofres do Estado.
O Ministério da Saúde angolano divulgou esta terça-feira um comunicado onde sublinha o impacto financeiro da medida. “Até ao momento, o Estado angolano suportava custos médios superiores a 200 mil dólares norte-americanos (mais de 170 mil euros) por paciente, incluindo evacuação sanitária, transporte, internamento e subsídios, o que para 12 casos representava aproximadamente 2,4 milhões de dólares (pouco menos de dois milhões de euros)”, lê-se no documento.
Para além da poupança imediata, a iniciativa assenta numa lógica de transferência de conhecimento e autonomização progressiva dos serviços locais. Os procedimentos estão a ser realizados em parceria com especialistas angolanos, no âmbito do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde, financiado pelo Banco Mundial e coordenado pela Unidade de Implementação do projeto (PFRHS-UIP). O programa prevê um internato estruturado em neurorradiologia de intervenção, acompanhamento por telemedicina e formação prática contínua com o corpo docente vindo do Brasil.
A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, citada no comunicado, enquadrou a iniciativa num esforço mais amplo de capacitação nacional. “Este projeto representa um passo decisivo para a independência técnica do sistema de saúde angolano, garantindo que milhares de pacientes tenham acesso local a tratamentos que salvam vidas e reduzindo significativamente os encargos do Estado com evacuações e internamentos no exterior”, afirmou.
No terreno, a equipa tem recorrido a técnicas de abordagem endovascular, descritas como minimamente invasivas, que reduzem os riscos cirúrgicos, encurtam o tempo de internamento e permitem uma recuperação mais rápida. O objectivo, de acordo com a nota do ministério, é transformar o Complexo Hospitalar General de Exército Pedro Maria Tonha “Pedale” num centro de referência nacional e até regional para o tratamento de doenças cerebrovasculares, contribuindo para a redução de mortes e incapacidades evitáveis. A aposta na qualificação dos quadros nacionais surge como pilar central para a sustentabilidade do projecto a longo prazo.
NR/HN/Lusa



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