Bifidobactérias nos primeiros meses de vida podem travar desenvolvimento de alergias

17 de Fevereiro 2026

Um estudo do Karolinska Institutet, publicado na Nature Microbiology, revela que a presença de certas bactérias intestinais na infância está associada a uma menor probabilidade de desenvolver alergias. A investigação, que acompanhou crianças desde o nascimento até aos cinco anos, inserida no projeto ALADDIN, indica que os bebés com níveis elevados de bifidobactérias produtoras de ácidos lácticos aromáticos apresentaram menos anticorpos de alergia (IgE) no sangue e um risco reduzido de eczema atópico aos dois anos

A equipa de investigadores analisou amostras fecais de crianças e mães, recorrendo a técnicas avançadas de ADN, e cruzou esses dados com a medição de diferentes ácidos lácticos. O resultado mais evidente foi a correlação entre a abundância de bifidobactérias e a produção de um metabolito específico, o 4-hidroxifenil-lactato (4-OH-PLA). Em experiências laboratoriais complementares, os cientistas conseguiram demonstrar que este ácido láctico, por si só, reduziu a produção de IgE em células imunitárias em cerca de 60 por cento, sugerindo que estas bactérias não são meros passageiros no organismo, mas sim agentes ativos na modulação do sistema imunitário.

A investigação identificou igualmente três fatores que parecem favorecer a colonização por estas bifidobactérias protetoras: o parto vaginal, o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros dois meses de vida e o contacto precoce com irmãos mais velhos. Estas circunstâncias, de acordo com os dados recolhidos, criam um ambiente propício para que estas comunidades bacterianas se estabeleçam no intestino do recém-nascido.

Johan Alm, pediatra e investigador do Departamento de Educação e Investigação Clínica do Södersjukhuset, no Karolinska Institutet, sublinha que o estudo evidencia como a presença da flora bacteriana correta nos primeiros tempos de vida pode reduzir o risco de alergias. Alm acrescenta que, se for possível encontrar formas de apoiar estas bactérias nos bebés — seja através da dieta, do aleitamento ou de outros métodos —, isso poderá vir a tornar-se uma nova ferramenta na prevenção de doenças alérgicas.

O trabalho é fruto de uma colaboração entre o Karolinska Institutet, a Universidade Técnica da Dinamarca e diversas outras equipas de investigação internacionais, tendo contado com financiamento do Conselho Sueco de Investigação, da Região de Estocolmo e de várias fundações. Os investigadores declararam não existir conflitos de interesse.

https://www-nature-com.proxy.kib.ki.se/articles/s41564-025-02244-9
Early-life gut bacteria exposures may protect children against allergies. Nature Microbiology, 2026.

NR/HN/AlphaGalileo

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