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O ministro do Turismo e Transportes, José Luís Sá Nogueira, compareceu perante a imprensa para fazer um ponto de situação depois de uma ronda de contactos que, nos últimos dias, juntou operadores turísticos e profissionais de saúde na principal ilha turística do país. A iniciativa surge na sequência de várias peças jornalísticas difundidas no Reino Unido, onde se noticia que algumas famílias associam as mortes de quatro cidadãos britânicos, ocorridas entre agosto e outubro do ano passado, a infeções contraídas no Sal. De acordo com essas informações, os familiares preparam-se para intentar uma ação judicial contra o operador TUI e a cadeia hoteleira RIU.
O governante foi perentório ao afirmar que não há qualquer surto de shigelose declarado em território nacional, sublinhando que Cabo Verde não recebeu qualquer comunicação formal de instâncias internacionais que o identifiquem como foco de um surto epidemiológico. “Mantivemos uma postura de responsabilidade e proximidade institucional, com encontros com os operadores hoteleiros e com a estrutura de saúde da ilha do Sal, para reforçar a articulação, partilhar informação técnica atualizada e assegurar o rigor no cumprimento dos protocolos de vigilância e prevenção”, referiu, deixando claro que o objetivo passa por garantir que todas as unidades cumprem as normas exigidas.
Apesar de admitir que nenhum país está imune a ocorrências pontuais na área da saúde, Sá Nogueira frisou que Cabo Verde se diferencia pela capacidade de vigilância que mantém ativa e plenamente integrada nos mecanismos internacionais de monitorização. O arquipélago continua a receber turistas diariamente, assegurou, encontrando-se neste momento com uma ocupação elevada, ainda que não tenha sido possível afastar completamente eventuais impactos negativos que notícias sem suporte científico possam vir a ter no futuro.
Esta posição do ministro do Turismo alinha-se com o comunicado conjunto que os ministérios dos Negócios Estrangeiros, Saúde e Turismo haviam divulgado há uma semana, onde se repudiavam formalmente as alegações que associavam indevidamente Cabo Verde a um surto de shigella. Já a 02 de fevereiro, o próprio ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, afirmara em conferência de imprensa que “não existem evidências epidemiológicas públicas que confirmem um surto ativo de shigelose”.
Os relatos publicados a 01 de fevereiro no Reino Unido reproduzem testemunhos de familiares das vítimas e declarações do advogado que os representa, tendo o assunto sido amplamente replicado nos meios de comunicação social britânicos e também nas redes sociais, onde ganhou contornos de um alegado surto. O setor do turismo continua a ser o principal motor da economia cabo-verdiana, mantendo-se fortemente concentrado nos resorts das ilhas do Sal e da Boa Vista, não obstante algumas tentativas de descentralização para outras ilhas que se têm verificado nos últimos anos. Sá Nogueira sublinhou, a este propósito, que a reputação internacional do país foi construída com base na estabilidade, segurança e qualidade dos serviços, renovando o compromisso com os elevados padrões sanitários e com a proteção da saúde pública.
NR/HN/Lusa



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