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A edição especial Go Red for Women da revista Circulation, publicada esta segunda-feira, compila dezenas de artigos científicos dedicados à saúde cardiovascular feminina. A iniciativa ocorre durante o Mês Americano do Coração e sublinha a necessidade de mais investigação específica sobre como as doenças cardiovasculares afetam as mulheres. Apesar de continuarem a ser a principal causa de morte a nível global, há progressos na prevenção, diagnóstico e tratamento graças ao aumento de estudos que consideram o sexo como variável biológica.
Uma das novidades é uma declaração científica da American Heart Association, também incluída na edição especial, que revela como mulheres em idade pré-menopausa com síndromes coronárias agudas enfrentam atrasos no diagnóstico e reconhecimento atípico de sintomas, resultando em piores desfechos comparativamente aos homens. O documento sugere maior consciencialização clínica, estratégias de diagnóstico adaptadas e mais representação feminina nos estudos. A declaração alerta que as próprias mulheres tendem a atribuir os sintomas cardíacos a causas menos graves, e nos serviços de urgência a triagem não é tão imediata como nos homens, o que as torna particularmente vulneráveis a enfartes não detetados.
Stacey E. Rosen, presidente voluntária da American Heart Association e diretora executiva do Katz Institute for Women’s Health, em Nova Iorque, assina um artigo de opinião na publicação onde percorre o caminho desde a questão inicial “O sexo importa?” até ao atual “Como é que o sexo importa?”. Rosen descreve a disparidade de género na cardiologia como um alerta para a medicina cardiovascular, à medida que os dados revelavam um alargamento do gap de mortalidade. No texto, apela a clínicos, profissionais de saúde e investigadores para que integrem o sexo como variável biológica enquanto pilar fundamental na melhoria dos resultados de saúde.
Vários trabalhos originais publicados na edição debruçam-se sobre condições durante a gravidez que afetam mães e bebés. Um deles examina as perturbações hipertensivas da gestação e a sua relação com doença cardiovascular prematura. Outro analisa a interrupção do uso de estatinas antes da gravidez e os efeitos na saúde materna e neonatal. Há ainda um estudo sobre o impacto do tabagismo materno durante a gestação na tensão arterial das crianças, e uma investigação que associa a síndrome do ovário poliquístico a várias condições cardiovasculares. Para além da compreensão da doença propriamente dita, vários investigadores aproveitaram a edição para examinar oportunidades de aumentar a liderança feminina em ensaios clínicos, defendendo iniciativas que promovam a participação de investigadoras. Outros artigos sugerem formas de utilizar a inteligência artificial para recrutar mais mulheres para estudos — atualmente, menos de 40% dos participantes em ensaios clínicos são do sexo feminino.
Mercedes Carnethon, editora associada da Circulation e editora convidada para esta edição especial, sublinha que o cuidado cardiovascular para as mulheres está a ser redefinido desde o início da vida até à idade avançada. Professora de medicina preventiva na Northwestern University, em Chicago, Carnethon considera que o conjunto de artigos e perspetivas provenientes de várias partes do mundo ilumina o estado atual da doença cardiovascular em mulheres e informa direções futuras.
A edição especial inclui ainda uma carta de investigação sobre dissecção da aorta em mulheres com síndrome de Turner, uma meta-análise comparando clopidogrel com aspirina em doença arterial coronária estratificada por sexo, e um artigo sobre a descoberta de suscetibilidade latente para hipertensão pulmonar em doentes com cancro da mama. Os responsáveis pela edição especial, Mercedes Carnethon e Sana Al-Khatib, participam esta semana no podcast Circulation on the Run para discutir os vários manuscritos e abordar os desafios específicos das cardiologistas. O episódio fica disponível a 16 de fevereiro.
Referência bibliográfica:
American Heart Association. (2026, February 16). Special issue highlights research advancing women’s heart disease and stroke care. Circulation. https://newsroom.heart.org/news/special-issue-highlights-research-advancing-womens-heart-disease-and-stroke-care?preview=3456e3dcaf3161bbe8e373b0a7b7b273
NR/HN/ALphaGalileo



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